13.9.09

Além-túmulo

Não, este não era o post previsto para hoje, mas... por considerar interessante postá-lo agora... furei a fila.


Noite passada tive um sonho estranho. Foi mais ou menos assim...

Acho que eu estava em um colégio onde nunca estive, tomei um fora de uma namorada que nunca tive – coisas típicas do universo onírico, não? – e estava caminhando por ruas desconhecidas, meio atordoado com a situação, quando avistei, no meio dos transeuntes, um tio que eu gostava muito, já falecido.

Não me espantei ao vê-lo. No entanto, ciente de que ele já estava morto e eu nunca fui de ver pessoas mortas (não tenho esse dom) perguntei-lhe:
– Morri?

E a resposta foi:
– De certa forma, sim. Venha comigo, porque este lugar é perigoso, não podemos ficar aqui...

E eu ia acompanhando-o quando o sonho mudou de cenário bruscamente – eis outra característica... só dos meus sonhos ou do de todos? – e ouvi minha mãe (que, com a graça de Deus, está viva e bem, lá em São Paulo) me dizendo:
– Não foi desta vez que você morreu, mas foi por pouco.

E acordei.



Certamente ainda estou vivo, do contrário este texto não estaria na internet agora. A não ser que a psicografia on-line exista. :o
Brincadeira à parte, este sonho me deixou impressionado. É que às vezes nos esquecemos do quão inesperada e possível pode ser a morte. Ninguém se programa para morrer. A não ser, talvez, os criminosos condenados à morte ou os suicidas. E não me enquadro em nenhum dos dois casos.

A morte vem. Quer você queira ou não, um dia ela vem. Pode te dar um aviso prévio... ou não. Um dia, cedo ou tarde, você estará... morto!

Sem nenhuma intenção de entrar na polêmica sobre o que acontece com o ser humano – não o corpo, mas a alma – depois da morte mas...

Surge a pergunta: Você está preparado para morrer?


Existem diversas correntes religiosas e cada uma crê no que quer crer:
– Morreu acabou. Algo como desligar uma TV. ( e das não valvuladas);
– Morreu, vai para o tribunal celestial, onde será julgado. Dali você sairá, ou um anjinho a tocar harpa eternamente no céu ou um chifrudo (literalmente) a sofrer as maiores torturas nas brasas do inferno e, tal qual o anjinho, pelo resto da vida. Ou melhor dizendo, da morte;
– Morreu... mas só o corpo físico. Te velaram, choraram sobre seu caixão, te enterraram... e te esqueceram. E você ali, acompanhando tudo, atônito.

Bem, sou católico. Mas diria ainda que sou eclético quanto a isso. Acredito sim, que a alma (ou espírito ou ainda, consciência, talvez) não acaba junto com a derradeira batida do coração. Acredite você ou não, vou deixar uma historinha pra encerrar este texto.




Era uma vez um caipira. Vivia sozinho, numa pequena cabana. Para seu sustento trabalhava para uma grande fazenda, junto com outras pessoas na mesma situação, humildes. Um dia-a-dia sem novidades, era acordar junto o galo cantando, ir para a plantação trabalhar e, ao cair da tarde, voltar pra casa e descansar.

Ele era um matuto, um jeca. Pouco falava, mais ouvia que participava nas conversas entre os colegas de labuta. E de repente começou a escutar histórias sobre um casebre mal-assombrado. Diziam eles:
– Tem uma casinha lá no morro onde ouve-se ruídos. Mas não mora ninguém lá!
E outro completava:
– O dono dessa casa morreu faz um tempo...

O matuto ficava quieto, na dele, só ouvindo e ficando com medo. Sim, ele tinha pavor de fantasmas. Mas aquela coisa foi ficando cada vez mais freqüente na roda. Sons, vozes onde nada deveria haver. "É coisa do capeta!", diziam alguns. Chegou ao ponto que os homens decidiram: Chamariam o padre para rezar uma missa pela alma do morto e depois derrubariam a cabana.

Marcaram uma data, chamaram o pároco da região e se reuniram. O nosso caipira, sem outra opção, marchou junto com a multidão, rumo ao temido local.

Qual não foi sua surpresa ao notar que a tão comentada casinha mal-assombrada era, na verdade... sua própria casa! E só então, depois de muito pensar, concluiu que o morto era ele mesmo...

2 comentários:

Ana disse...

Essa história me lembrou um livro que li lááá nos idos do Ginásio (hoje conhecido como Ensino Fundamental, sou velha), chamado O Casebre do Fantasma. E de como eu sentia medo de coisas assim...

Hoje, acho que tenho mais medo da pergunta em negrito de seu texto do que de qualquer ser sobrenatural.

R. disse...

Pois é, Ana, todos evitam pensar... no inevitável.

E eu, ao contrário de vc, tenho medo de fantasma... sim!
:P