19.8.09

É só uma dança. (é?)

Lá estava eu, em meio a uma festa da empresa. Era comemoração de um objetivo comercial alcançado, do qual detalhes pouco importam e muito menos interessariam, aqui. Local: Um desses chamados "soçaites" (societies? Não, no caso deve ser mesmo um "soçaite"), onde há uma quadra de futebol, uma de vôlei, piscina, churrasqueira e tal.

Uns jogando bola, outros fofocando sobre o cotidiano na empresa... e eu só na cerveja – que era meu único objetivo, afinal – e o espetinho que acompanhava muito bem. Bebida vai, bebida vem, resolvem colocar músicas regionais pra tocar e uma turminha – possível e provavelmente embriagados – se anima a dançar.

É fato que a sensualidade é característica praticamente inseparável da atual música nordestina, mas o que eu começava a assistir ali, bem na minha cara, era um roçar de corpos tão indecente que deixaria qualquer casal de dançarinos de lambada parecendo membros de quadrilha junina, de tão pudicos que ficariam, perto daquilo.

O agravante disso é um detalhe. Um "desprezível" detalhe por estas terras, pelo visto: Muitos dos que estavam naquilo que mais se assemelhava a um ritual de acasalamento, a preliminares do ato sexual eram, no dia-a-dia de branco, gente que batia no peito e afirmava com inabalável orgulho e convicção: "Sou casado(a)!" (ou noiv(o)a, ou congêneres do compromisso a dois), não deixando margem alguma a suposições de que houvesse a probabilidade de algo fora da relação oficial.

No entanto, naquele momento estavam ali... "dançando". É. Pra muita gente – chefes, gerentes, também estavam lá, apenas assistindo. Se gostaram ou não sei lá – o que presenciei é normal, socialmente aceitável, cultural e blábláblá. Mas pra mim, não. Fiquei tão incomodado que parei de beber e passei pra água mineral. Virei a cara pra não dar audiência àquilo. Nunca fui de jogar bola mas diante de um cenário desses, arrisquei entrar na quadra e fiz uma cobrança de pênalti digna de sair no "Bola Murcha" do Fantástico: Sem goleiro – eu disse sem goleiro nem ninguém, só eu e a trave à minha frente – consegui mandar a bola pra fora. Pode?

Pode. Futebol – jogar ou assistir – nunca combinou comigo. Ainda mais bêbado! Depois dessa diversão que proporcionei a alguns colegas que estavam na quadra resolvi ir embora, cansado. Peguei carona com um destes, evangélico, que compartilhou de minha opinião a respeito da libidinosa dança. E cheguei em casa cedo, dia claro, ainda.

Não duvido nada que, o que se insinuou pela tarde afora, foi às vias de fato, ao cair da noite. Cogitações houve...

3 comentários:

Caminhante disse...

Sem dúvida estava rolando um clima...

Reginacelia disse...

Hmmmmmm, temo dizer que o forró é naturalmente sensual. Depois de umas cervejinhas, então... Aqui em Brasília, tive que aprender a ficar "bem-comportada" em festa de trabalho, pois em Recife ficamos muito à vontade mesmo. E pode sim, ter um componente libidinoso, pode rolar um caso depois dali, ou não. O fato é que forró sem "bate-coxa", não é forró. Desculpe o meu apoio implícito ao grupo. =D

R. disse...

Devo estar envelhecendo mesmo, ficando um velho ranzinza e retrógrado, só pode...