13.5.08

Respondendo a Flor (sobre telefone)

O que aconteceu foi que, como passo o dia inteiro fora de casa, no trabalho, só me restava a tarde de sábado – porque trabalho meio-expediente nesse dia – para aguardar a visita do técnico que iria fazer a reinstalação. E justamente, como não havia outra opção, pedi que o serviço fosse realizado nesse período.

Pois bem. Marcaram um sábado dias depois e nessa data fiquei a postos, ansioso em voltar a ter telefone e internet. As horas se passaram e nada. Passei a tarde toda contemplando um aparelho de telefone tão inerte e inútil quanto uma estatueta de pingüim sobre a geladeira.

Na semana seguinte recebo outro contato da companhia telefônica, a fim de confirmar a instalação da linha para outro sábado vindouro. Mas assim... como se não tivesse acontecido nada, como se aquele fosse o primeiro agendamento. Fiquei indignado. Questionei a razão que teria levado o técnico a não comparecer aqui. E, como era de se esperar, recebo uma resposta-padrão (dessas que todo atendente de telemarketing tem na ponta da língua): "O imóvel encontrava-se fechado, senhor".

De fato fechado estava, pois moro num condomínio, desses que têm muros em redor e um portão eletrônico na entrada. Mas retruquei: "E o sujeito nem quis tocar a campainha??". Blablablás inúteis à parte, ficou confirmada nova data. Eu tinha compromisso nesse dia, mas em vista de minha ansiedade em ter de volta a linha e um perceptível aborrecimento com o desencontro inicial, protelei a saía e me comprometi a estar presente, novamente, nessa outra tarde de sábado.

E assim foi feito. Chego do serviço às pressas, não querendo deixar nenhuma margem para o técnico justificar a ausência de novo. E fico...

"A ver navios". Ou carros, motos. Cada veículo que se aproximava do portão do prédio era motivo para eu esticar o pescoço, esperançoso em avistar alguém da companhia telefônica. No final da tarde, a noite já caindo sobre a cidade, pára ali um motoqueiro, olhando a fachada e conferindo o endereço daqui. "É ele! É ele!", pensei. Em vão. Era só um entregador de fast food. E dei por encerrada outra tarde de espera perdida.

Na outra semana, repeteco do blablablá da telefônica e perdi a compostura:

– Será que dessa vez posso acreditar que esse técnico virá mesmo?
Sim senhor, está confirmado para este sábado, entre as 14 às 18 horas.
– E desta vez me mandarão alguém que conhece um aparelho chamado interfone, que tem botõesinhos com números de cada apartamento deste prédio e no meio destes, o meu? Ou terei que ensinar o imbecil a apertar o botão e aguardar minha voz soar pelo fantástico aparato?
O técnico será orientado para que o chame através da campainha, senhor.
– E se caso ele só estiver com preguiça de trabalhar num sábado à tarde oriente-o para que ligue para mim, neste mesmo número de celular no qual estamos conversando agora, avisando que preferiu ficar no bar tomando cervejas e pronto! Pelo menos não ficarei inutilmente esperando e poderei aproveitar melhor meu restante de sábado. É possível? Ou é pedir demais?
Certo, senhor.

Mais uma tarde de sábado. Prevendo o pior, trouxe uma garrafa de vinho para bebericar durante a espera. Para me acalmar, também, pois minha vontade era de linchar um técnico de companhia telefônica assim que me deparasse com um. Mas como não podia fazê-lo – ao menos não antes que o mesmo transferisse minha linha – fui mandando minha raiva goela abaixo com goles de um tinto barato. Só pra aumentar minha irritação, meus créditos de celular haviam acabado dias antes. Eu estava completamente incomunicável com o mundo, à exceção de alguém que me ligasse – o maldito técnico, talvez? – e de eventuais berros na varanda.

E adivinhem: Ele não apareceu.
Na outra semana, replay de alguns parágrafos anteriores. Não mudei o tom: "Por acaso vocês estão achando que tenho cara de palhaço?", "Terei de levar o caso a público, aos jornais? Ou ao tribunal mesmo? Será que assim irão me levar a sério??"

Finalmente levaram a sério. Não sei se foram as ameaças que funcionaram ou se foi o técnico que, só pra variar um pouquinho, resolveu trabalhar, mas nesse sábado-final-da-série-martirizante enfim voltei a ter minha linha telefônica ativa novamente.

Em tempo de ligar pra SP e falar com o pessoal de casa, principalmente com minha mãe. Ô saudade!

9.5.08

A feiúra pode ser útil

Imagine um automóvel ridículo. Ou ainda, tente se recordar, você já deve ter visto algo do gênero na televisão ou mesmo passando à sua frente pelas avenidas da cidade; um veículo completamente bizarro. E não falo sobre tunings tresloucados, que colocam aerofólios do tamanho de uma mesa de jantar sobre o porta-malas do carro ou exageros do tipo, mas a acessórios de gosto duvidoso. Mais ainda.

Pois bem, hoje avistei de perto um desses. O veículo que ninguém estranharia se fosse dito que o proprietário trataria-se do Falcão, o cantor mais conhecido por seu girassol na lapela que por dotes musicais.

Ninguém acharia aquilo bonito. Inconformava-me imaginar o proprietário daquela criação exdrúlula gabando-se pela imponência, criatividade e... beleza da...quela coisa.

E não cheguei a conhecê-lo. Nem soube se o sujeito era uma pessoa igualmente extravagante no seu modo de vestir, de falar, de agir... mas depois pude saber, e de certa forma conformando-me, que uma das razões que levara o dono do tal carro a transformá-lo numa alegoria – de evidente mau gosto, diga-se de passagem – sobre quantro rodas havia sido o valor do seguro.

Sim! O seguro do automóvel!
Veja se o cidadão não teve razão em sua estratégia: Ao invés de pagar por uma caríssima apólice que talvez nem fosse cobrir o valor do bem, decidiu personalizar – radicalmente, evidente – o automóvel de modo que este ficasse chamativo, exclusivo! Ou seja, qualquer ladrão que se atrevesse a levá-lo teria que ocultá-lo imediatamente, ou seria reconhecido e denunciado por todos. Além disso, teria um trabalho enorme só para descaracterizar o carro.

Eu, como conhecedor do assunto que sou, afirmo isso com toda a convicção; a personalização não limitava-se tão somente a adesivos, frisos ou coisas simples assim. Era – e ainda está sendo – uma parafernália de equipamentos. Chamá-lo de "árvore de natal" ambulante seria pouco. Qual gatuno animaria-se em furtar um outdoor desses, hein?

(Faltou a foto, admito. Uma pena)

7.5.08

"Novela" e novela

Queria evitar o assunto mas não dá; todo jornal que você pega pra ler fala sobre, todo telejornal tem no mínimo um bloco inteiro só sobre. Você sabe, é o caso da menina que foi jogada da janela.

Não vou desmerecer a comoção que o acontecido provocou em todos, mas convenhamos, essa novela da vida real já se prolongou além dos limites (de nossa paciência). Diversos indícios e nenhuma prova incriminatória. Eu disse "indícios"? Somente o fato de ter sido comprovada a ausência da famosa terceira pessoa – nova designação para o tradicional bode expiatório, pelo visto – já teria sido, ao menos para mim – leigo que sou em criminalística mas com um mínimo de raciocínio e bom senso – prova suficiente da autoria do crime.

Mas não. Além da coleta de material de praxe no local do ocorrido, uma reconstituição. Com direito a àrea reservada para a imprensa e um pedido, sensatamente* negado pelas autoridades competentes, para que o espaço aéreo fosse interditado durante o espetác... digo, durante a reconstituição.

E os jornais cobrindo tudo a respeito, desde manifestantes – alguns, mais buscando holofotes que demonstrando uma sincera indignação com o caso da menina – a meticulosos relatórios da perícia que comprov... digo, que indiciavam o casal. Mas nada de condenação.

Me irritei a tal ponto que imaginei uma hipotética situação: Um vizinho teria estranhado a movimentação naquela noite e teria flagrado o crime, filmando tudo através de um celular. E isso não seria prova, seria apenas um indício: Indício de que a tal hora e tais minutos do dia tal um homem, com fisionomia idêntica a de A.N (ele, aquele), com estrutura corpórea extremamente próxima, vestindo uma camiseta exatamente igual a que o suspeito usava naquela noite e com a voz também parecida havia lançado uma criança daquela janela. Não seria prova, não. Seria indício. INDÍCIO. Iriam averiguar a qualidade da gravação. Um técnico questionaria a nitidez das imagens, o advogado de defesa levantaria suspeitas sobre a autenticidade da prov... digo, do indício: "Estão tentando incriminar meu cliente com uma falsa gravação usando um sósia!"

Pois é. E enquanto isso, impressos vendendo, jornais tendo audiência. Seria doentio demais de minha parte imaginar que algum beneficiado com o caso estaria incentivando a "novela"? A imprensa é evidente que alimentou-se disso. Mas e o caso dos gastos com cartões corporativos, alguém se lembra disso? Alguém dá bola para a Dilma Roussef se exaltando em defesa de gastos – melhor seria dizer "mordomias" mesmo – efetuados no governo do FHC? Não. Porque a imprensa nos sufoca com o caso da menina.

E agora o casal será preso. Fim da novela? Não aposto minhas fichas nisso. Fosse um caso ocorrido num local humilde, entre desconhecidos josés e marias, o inquérito teria durado poucas horas e o casal já estaria encarcerado. Mas como não foi...




E falando em novela, "Duas Caras" vai terminar. E já vai tarde, digo.
Depois que vi uma universidade privada tendo sua reitoria invadida no descarado plágio da real invasão de uma universidade pública e mais, tendo ali dentro um caso de gastos obscuros com cartões corporativos, deixei de levá-la a sério. Tudo bem que trata-se de uma ficção, mas é preciso um mínimo de personalidade, de persuasão, de lógica, para ser aturável. E ela não foi.
Desta novela reconheço apenas um mérito: O de ter destacado a beleza negra, e fugindo ao lugar-comum dos personagens, à estereotipização da mulher negra. Ao menos um pouco.


* Bastaria fazer um levantamento do movimento do espaço aéreo durante aquelas horas daquela noite, não?

4.5.08

Retomando as atividades

... na internet, claro, porque na vida real as coisas permaneceram em andamento. Graças a Deus. E lá vem a parte "meu querido diário" deste post...

Passei um bom tempo sem escrever aqui por 2 motivos: Primeiramente pelo meu Microssauro II, que resolveu ter panes esporádicas. Na mais duradoura delas, passou uma semana em coma. Ainda agora comporta-se de maneira estranha. Talvez esteja pedindo a aposentadoria. E por causa dessa instabilidade já deixo avisado aos leitores que não estranhem se eu sumir da blogosfera de novo. Terá sido por ele, meu velho guerreiro.

O segundo motivo foi minha mudança de residência. Um grande alívio, por sinal. Livrei-me da vizinhança da favelinha que me deixava doido com sua trilha sonora. (Pra quem não sabe, a trilha sonora de uma favela é: Música da pior qualidade em volume ensurdecedor, bêbados discutindo, crianças berrando na rua, cães latindo ininterruptamente – e principalmente na hora em que você quer dormir)
Não deu tanto trabalho assim o transporte dos objetos – afinal, nem tinha e continuo não tendo quase nada de mobília ou eletrodomésticos – mas sim a transferência da linha telefônica para o novo endereço.

...

E já estava agora no terceiro parágrafo, contando sobre meu calvário para conseguir ter minha linha funcionando aqui quando me dei conta: "Mas que ocorrido mais sem graça, ora bolas!" e apaguei tudo. Pra que falar sobre isso, não é mesmo?

O que importa é que estou voltando. E com muito prazer, pois adoro escrever.
E que venha o próximo post.