29.10.06

Astúcia chinesa

Quem esteve no Salão Internacional do Automóvel deste ano, por certo não passou despercebido do primeiro lançamento chinês em solo brasileiro de um quatro rodas. Se não viu o veículo, ao menos incólume do burburinho causado pelo mesmo não saiu. Nem tanto pelo carro em si, mas pelo seu nome: Chana!

Antes mesmo do evento eu já havia conhecido o – ao menos para nós, brasileiros – polêmico nome, em uma publicação especializada e não conseguia conter a minha estranheza com a falta de tato (pra não dizer mau gosto mesmo) dos asiáticos para batizarem suas criações; como se não bastasse a Besta da KIA (não confundir com Kia Joorabchian, ex-dono da grana enquanto esteve no alvinegro paulista, hehe) agora teríamos uma chana?
Pra quem nunca embarcou em uma lotação/perua ou não havia reparado o nome do veículo, eis aqui uma imagem da tal Besta, já atualmente nem tão "bestial" assim...)
E pensava: "Será que ninguém teve dó dos chineses para avisá-los sobre o significado da chana, antes?"


Só que, durante a exposição no Salão é que comecei a deduzir a estratégia deles: Imagine se o carro fosse um
Chiang Yi ou então um Hong Qi ?
Possivelmente passaria em branco pelo evento; primeiro pela sonoridade pouco familiar aos nossos ouvidos e segundo por ser nomes de difícil assimilação. Muito ao contrário de "chana", que já começa sua incursão em solo verde-amarelo caindo na boca do povo! "Chana?!" E muitos riem, outros, mais acanhados, apenas se enrubecem num acanhado sorriso, mas todos ficam com esse registro na mente. Afinal de contas, não é sempre que nos surge um automóvel com um nome que significa... ahn, significa... bem, pra quem porventura não saiba, "chana" (Ou "xana") é um... "apelido" dado a genitália feminina.

E assim, entre piadinhas do tipo "Agora vc pode ter o Picasso e a Chana juntos em sua casa!" ou "Se você tinha um Picasso e sentia que faltava alguma coisa...", os chineses conseguiram realizar uma divulgação extremamente eficaz, marcante e, ainda por cima, gratuita!! Espertos demais, esses sujeitos. Sou forçado a tirar o meu boné, para eles.

: T

24.10.06

E falou em pesquisa...

Não sou internauta tão antigo assim, mas lembro-me da primeira vez que me indicaram um site muito estranho para pesquisas online; retruquei: "Hein? Como é que é? Gúgo??" E comecei a usá-lo e a gostar.

E hoje o tal do "gúgo" predomina. Tamanha é a hegemonia deste buscador que cheguei a imaginar que seus concorrentes nem existissem mais. Engano meu. Talvez um ou outro tenha sucumbido ao ostracismo, mas eles ainda estão aí, no páreo. Se alguém recorre a eles ou não, é uma questão à parte...
E penso nas marcas que se tornaram sinônimo de produto ou serviço...
Ou por acaso vc nunca ouviu por aí alguém dizer: "Preciso xerocar um documento" ou "cortaram a minha bolsa com um gilete"? Pois é, a Xerox (fabricante de fotocopiadoras) e a Gilette (fabricante de lâminas de barbear) conhecem bem esse processo de assimilação. Fosse "google" um nome mais "aplicável", por certo já teríamos o verbo "googlear", o substantivo "googleado" e também a "googleagem" ou "googleação"...

A título de curiosidade, coloco abaixo alguns concorrentes ativos do Google:


www.altavista.com (tão famoso outrora, coitado...)
http://www.hotbot.com
www.metacrawler.com
www.webcrawler.com
www.search.com
www.mamma.com (nada modesto, este; autodenomina-se "A mãe dos mecanismos de busca", hehe)

E, como não poderia deixar de ser, essa pequena listinha acima foi encontrada invariavelmente via... Google!
( envergonhado )

(: z

Demita já o seu marketeiro, Alckmin!

Antes que seja tarde demais...


A menos de uma semana do pleito decisivo, ouço incrédulo o trecho da propaganda do candidato tucano: "Das dez melhores estradas do país, 9 estão em São Paulo e graças aos investimentos do Estado..."
Quais são essas 9 estradas? São estatais? Temo, com uma quase certeza, de que não; devem ser as privatizadas. Assim sendo, que investimento o governador fez, senão transferir as estradas para a iniciativa privada e estas sim, melhorarem as estradas?!

É possível, meu Deus, que o marketeiro resolveu "cutucar o vespeiro" da privatização tentando demonstrar ao eleitorado que esse processo tem lá seus benefícios? E com essa "esperteza" abriu uma brecha para que o Lula ataque os preços cobrados pelos pedágios, Hah. E pôr fogo na discussão sobre o tema, de novo.

Sei não, viu. Mas acho que o marketeiro do PSDB está "comprado". (Ainda mais do jeito que, para o PT, dinheiro é o que não falta, né...)

17.10.06

Privatizar?

Em meio a essa discussão entre Lula e Alckmin sobre privatizações pensei:
Por que não privatizar o INSS ?
Sem mais delongas, vou "pôr o dedo em cima da(s) ferida(s)": Freqüentes greves, fraudes, atendimento incapaz de atender a demanda. E vamos esmiuçar:

Com todo o respeito que tenho aos servidores públicos; o funcionário do INSS ganha mal? Eu realmente não sei quanto ganham atualmente, mas peguemos como referencial este trecho de um edital do concurso público que o instituto realizou em 2005. A menor remuneração ali ofertada é de R$ 853,70. Pouco? Sim, é pouco, mas se levarmos em consideração a data do concurso e que esse valor é um 'piso'... ?
Também não desmereço o trabalho destes servidores – certamente deve ser árduo – mas teriam eles mais direito a protesto do que, igualmente funcionários públicos, professores, policiais ou mesmo o humilde lixeiro que derrama seu esforçado suor pelas ruas diariamente (embora este não seja da esfera federal) ? Ou será que eles aproveitam-se das conseqüências de suas greves para obter benefícios?
"O povo? O povo que se dane! Idosos passando mal em filas intermináveis? Se o Governo não der o que exigimos, que se danem!"

E o dinheiro desviado...
Quem não se lembra do Caso Georgina de Freitas e outros? Defuntos recebendo aposentadoria e outros absurdos! E quando o problema não é de fora, vem de dentro! A úlcera da corrupção e ganância a qualquer custo levando envolvidos e coniventes (pra não dizer-se 'comparsas') a embolsar aquela parte do dinheiro que teríamos acumulado por anos e anos de labuta, não nos fosse tomada à força de nossas 'contribuintes' mãos pela Previdência Social...


Sim, eu sei que a privatização não é nenhum "toque de Midas no tomate putrefato" – vide certas rodovias paulistas que, não obstante a privatização, continuaram sendo precárias – mas... privatizada a previdência não funcionaria? Ao menos combatendo as duas "chagas" acima citadas?


* Mais um link ilustrativo: http://www1.transparencia.gov.br/TransparenciaCliente/eo_extrato_des.jsp?CodigoOrgao=33000&TipoOrgao=1&CodigoUO=33101&NomeUO=MINISTERIO%20DA%20PREVIDENCIA%20SOCIAL%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20&Ano=2005
(Gigantesco, mas funciona. Só não boto a minha mão no fogo por essa transparência. Ainda mais que trata-se de um site estatal...)

14.10.06

Tudo em prol de uma boa causa

Passeando pela internet deparei-me com algo inusitado (ao menos pra mim) : Um casal de alemães criou uma ONG para defender a nossa tão sofrida natureza. Até aí, tudo bem, só que eles têm uma maneira... ahn, não tão agressiva e incisiva quanto o do Greenpeace de se manifestar, tampouco ortodoxa: Eles... hum, eles são adeptos da "fornicação ecológica", poderia se dizer.

Fazem o que fazemos para a procriação – não somente para essa finalidade, mas evitarei detalhes quanto as outras – em locais públicos, e onde haja público. A propósito de chamar a atenção da mídia para as questões ecológicas e angariar fundos (sem trocadilhos) para serem doados a entidades que reconhecidamente cuidam de nossa fauna e flora.

E eu penso; não obstante o suposto atentado ao pudor, que mal haveria nesse tipo de ativismo? Pois vejo-o com bons olhos. Senão, repare: Eles não prejudicam ninguém (interditando rodovias, por exemplo), nada destroem (como alguns sem-terra brasileiros), sequer estragam casacos-de-pele com tinta vermelha ou entram em conflito com barcos pesqueiros! Eles são da paz, enfim!

"Fazem" em prol da natureza. E fazem o que nossos ancestrais já faziam desde que foram expulsos do paraíso! Que mal haveria, enfim? Até pensei que isso fosse apenas uma "arapuca online" para a venda de imagens eróticas na grande rede, mas em vista da recusa do WWF em receber as doações (financeiras!) dessa ONG – por discordar de seus métodos naturais e/ou naturistas de batalhar pela causa – concluí que a coisa é real: Não desmate, faça amor! (plagiando o slogan dos hippies da década de 70)

Até eu adoraria a idéia, não fosse contrário à idéia de "fazer" em público...


Obs: Como este é um blog declaradamente 'familiar', evitei tocar no assunto explicitamente. Caso alguém (maior de 18 anos) tenha se interessado pelo assunto e queira maiores detalhes, posso informar o endereço do site reservadamente.

9.10.06

Perseverança ou maturidade?

Que a idade nos traz o aperfeiçoamento eu não discordo; mais para uns, menos para outros, mas sempre traz. O que tenho notado em mim mesmo é que estou mais paciente. Ao menos com certas coisas, como por exemplo...
Dia destes, manuseando o painel de instrumentos de um carro (relativamente antigo) o relógio analógico simplesmente desmantelou-se na minha mão. Além de velha, a peça estava precariamente remendada. E fiquei olhando estarrecido para as 5 engrenagens e outras miudezas espalhadas sobre a bancada.

Fosse em outras épocas, eu teria praguejado horrores, esmurrado o painel e desistido de tudo. Mas não. Resolvi estudar minuciosamente as peças. Foram horas (literalmente!) contemplando as pequenas peças e tentando encaixá-las. Até que, aos poucos, com muita paciência e uma boa dose de dedução, consegui finalmente remontá-lo.

Liguei na alimentação e, pasmem! Funcionou !!

Depois dessa fiquei impressionado comigo mesmo. E nem foi com a intenção de me gabar. Não acreditava que havia conseguido... justamente eu, um sujeito que não tinha a mínima paciência para lidar com coisas menos delicadas e complexas que um relógio ?!

Por isso que digo; será o efeito da idade?


: o

6.10.06

Não basta sonhar, tem que pagar : p

(Obs: Este post era o de ontem, mas devido a algumas dificuldades técnicas, estou postando agora, com um dia de atraso)


Mega-sena acumulando, acumulando... até que ontem decidi arriscar a sorte. Mas não seria com um joguinho de apenas 6 números não, eu investiria pesado. Quem já fez a sua "fézinha" um dia, sabe que quanto mais números marcados no cartão, maior o valor pago na aposta. Evidente, pois crescem as chances. E eu pretendia fazer um de 8 números, pagando 42 reais para tanto.
Mas surgiu um "levante"de apostadores (Dizer "levante" é ironia, pois era apenas um grupo de 4 ou 5 pessoas) e resolvemos fazer um bolão. Eu queria uma aposta só com dez números (R$315,00), mas definiu-se que seriam duas com 9 números (R$126,00 X 2) e assim foi feito. 252 reais entre 7 pessoas, cada um investiu 36 reais. Pra mim foi ótimo, já que ia, a princípio, pagar mais e apostar menos, não é mesmo? E nessa noite nem dormi direito, só ouvindo o rádio e esperando alguém anunciar "O prêmio da mega-sena saiu para um paulistano..."
E hoje de manhã – meu despertador é o radio-relógio sintonizado numa emissora de notícias – ouço a notícia: "Um apostador de São Paulo ganhou sozinho o prêmio acumulado da mega-sena, as dezenas sorteadas foram..." Me arrepiei e arregalei os olhos na hora! "Ganhamos?!" – pensei.
Minutos depois, conferindo os resultados, a decepção: Não havíamos sido nós, os ganhadores. Aliás, muito pelo contrário, sequer conseguimos acertar uma mísera quadra (4 números) que nem teria "indenizado" o nosso investimento; nos dois jogos, pegamos apenas UM número em cada...

Ai, ai...
Tivessemos acertado os números, hoje eu estaria com 5 milhões de reais na mão (o que me caberia da partilha). 5 milhões... acho que nem saberia o que fazer primeiro...
Mas quem deve estar atordoado e com um abobalhado sorriso de orelha a orelha deve ser esse sujeito que ganhou. Será que foi um bolão? Ou alguém que, com uma humilde aposta de R$ 1,50 embolsou 35 milhões de reais? Já pensou?