23.3.06

Uma dúzia é doze. E é.

Minha mãe, freguesa assídua de certa barraca de bananas na feira, estava revoltada dia destes. Houve um pequeno imprevisto e ela foi obrigada a comprar as frutas em uma feira diferente, numa barraca onde nunca havia comprado antes. Cacho escolhido, o vendedor lhe falou:

- Este aqui só tem dez bananas, vou completar.
E colocou mais 3, na sacolinha. Outro cacho escolhido, ao contrário, tinha duas a mais que foram notadas e comentadas pelo feirante, que as cobrou pelo preço normal de uma dúzia.

Tempos depois, retornando à barraca de sempre, escolheu um cacho que tinha 13 bananas e o entregou ao feirante. Este contou o cacho e deste arrancou uma banana, sem a menor cerimônia, sem nada dizer. E isso frente aos olhos incrédulos de minha mãe. Depois disso ela não se conformou mais: "Custaria ter deixado aquela banana no cacho?", reclamava. E pensei...

De fato, o que seria uma banana a mais, ainda mais que estamos na "república das bananas"? Uma banana. Simplesmente uma banana. Tudo bem que o "a preço de banana" já morreu de velho, mas... fazer uma desfeita dessas com uma freguesa antiga por causa de uma única banana?

E pensei em outra coisa. Acho que a questão não estava tanto assim no custo unitário da banana, mas no cumprimento à risca da unidade de venda. Assim sendo, como criticar alguém que lhe vende doze bananas, ao preço de uma dúzia? Não há como! Estratégias de marketing, fidelização e simpatia à parte, nada haveria que desabonasse o tal feirante. Por outro lado, ele poderia ser considerado um burro, por vender 13 como sendo uma dúzia, hã?

"Resumo da ópera": O feirante deve passar a vender bananas por unidade, ou por quilo. Ou mesmo por cachos, se for corajoso. Porque se for esperar que as bananeiras só dêem frutos em grupos de 12...

15.3.06

Orkut pode ser humanitário


Sábado passado foi dia de me encontrar com membros de uma comunidade orkutiana chamada "Mutirão Virtual", numa churrascaria aqui em São Paulo. Local aprazível, clima ameno, pessoas agradáveis; foi um ótimo evento. Tão poucas pessoas, mas... bem, creio que tenha sido o primeiro de uma série e, nos próximos, outros participantes deverão comparecer.

Antes de comentar o que realmente pretendo, carece de uma breve introdução: O propósito desta comunidade é, fundamentalmente, o apoio financeiro a entidades beneficentes de todo o Brasil. Somos pessoas dispostas a deixar de lado a eterna lamentação do mundo e fazer algo para mudar. É certo que, nestes tempos de falcatruas e desvios de verba é um considerável risco doar dinheiro a uma instituição que sequer conhecemos pessoalmente, mas vejo que, tanto a moderação quanto a maioria dos membros ativos têm se precavido contra os mal intencionados.

Agora sim, o que quero comentar:
Neste pequeno grupo de 'virtuais' que transcenderam a virtualidade, a concreta representação das etnias se unindo em prol de uma meta em comum; melhorar este mundo em que vivemos. O branco, o negro e o asiático juntando forças!
Ah, por isso é que eu amo o Brasil !

: )

3.3.06

Na terra 'frevente'

Praticamente todos os meus conhecidos pernambucanos – dentro deste mundinho online – se não são fanáticos pelo carnaval, ao menos simpatizantes são; o que me levou a questionar quais razões levariam o povo (majoritariamente de Recife e Olinda) a ter tamanha afinidade com a folia.
É claro que, assim como nem toda baiana precisa ser a Pitty pra detestar axé, é evidente que nem todos os vizinhos de Alceu Valença são exímios dançarinos ou apreciadores de frevo só por causa disso. E por isso o 'praticamente', ali no início do parágrafo. Mas vamos à maioria...

Como não sou nenhum entendido no assunto, começo com prévias escusas, caso esteja dizendo alguma asneira. Pois bem.
O carnaval olindense (principalmente) não se faz de sambas-enredo. Sequer de samba. Se faz da típica e efervescente dança local: O Frevo. E apesar do clima quente do local e ritmo de dança idem, isso não leva os foliões a praticarem o topless à bel prazer. Ou ao menos, não nas mesmas proporções que em outras localidades. Isso seria um incentivo à diversão mais familiar? Ou não tão de encontro à moralidade em voga nos dias em que Rei Mômo é um plebeu qualquer? Pode ser que sim, pode ser que não.

E temos também a questão turística e egocêntrica do pernambucano, que por vezes beira à megalomania. Isso eu afirmo porque já vi – com estes olhos que um dia a terra há de comer – a paixão que eles têm pela grandeza. Pra todos os lados, anunciam-se: "O maior do nordeste...", "O maior do Brasil...", "O maior da América Latina..." e então facilmente concluo: Por que não iriam desejar possuir o maior carnaval de ladeira (ou 'em ladeiras'?) do mundo? Hehe.
E antes que me venham os protestos, abro o parêntese: Já fui devidamente esclarecido de que "megalomaníaco" é o que acha que é (detentor de algum mérito ou grandeza), mas não o é; ao passo de que 'o maior' de Pernambuco de fato trata-se do maior, comprovadamente. Ou seja, não lhes cabe o 'adjetivo' um tanto quanto jocoso. Mas gosto de usá-lo para atiçar os brios deste povo tão vibrante. E fecha o parêntese : )

Assim sendo, teríamos o clima familiar e o "patriotismo regional" como diferenciais deste carnaval que a tantas pessoas – inclusive os moradores locais, atrai? Hum, ainda não sei. Só sei que é de se tirar o chapéu. E olha que nem de carnaval eu gosto.

: T