25.2.06

Tagarela das letrinhas

Eu e minha vizinha Mônica vivemos nos desentendendo como gato e rato (só não me perguntem quem é o gato e quem é o rato, nesta relação), mas uma reclamação que ela sempre me fez - e continua fazendo - trouxe uma questão à tona: Escrevo demais ?! Não no sentido de 'fabulosamente, 'de forma excepcional', 'impressionantemente bem' ou em qualquer outro tom de elogio; ela reclama que escrevo demais, em excesso, que meus textos são longos e exaustivos!

Daí pensei: Antigamente os jornais impressos gabavam-se por um grandioso conteúdo (novamente abro o parêntese para esclarecer: Não é grandioso no sentido de majestoso, mas no da enorme quantidade de informações passadas ao leitor, ou de um texto garboso) que era o favorito do leitor que dispunha de considerável tempo livre para atualizar-se com as efemérides, após farto café da manhã. E acomodava-se em sua confortável poltrona de leitura para tanto. Um ambiente semelhantes àqueles utópicos usados nos comerciais de margarina. Pois bem, os tempos mudaram. Os comerciais de margarina não, mas os jornais sim.

Creio que poucas pessoas têm tanto tempo disponível assim para ler um "calhamaço" diário. As notícias tornaram-se cada vez mais sintéticas (de 'síntese', não de 'artificial') e diretas, permitindo às gerações "tempo-é-dinheiro" e "multiplataforma" manterem-se informadas num relance. Criou-se o conceito do "Quanto mais informação em menos palavras, melhor". Às vezes o jornalista se atém mais na segunda parte da frase que na primeira, mas... tudo bem
As pessoas habituaram-se ao compacto. Notícia compacta, sanduíche compacto, automóvel compacto, mulher compacta... e a fartura passou a ser vista como desnecessária, senão como desperdício mesmo.

E eu, nesta onda de tendências, não estaria remando contra a maré?
Ao invés de ser direto e reto, adornando e, de certa maneira, rebuscando o texto? Puxa vida, mas sou pró-clímax! E, ao menos que eu saiba, nenhum clímax se faz num piscar de olhos. É preciso construí-lo, envolvê-lo, incitá-lo com preliminares. Ademais, sou contra textos absolutamente vãos, cuja única função é 'cumprir a diária atualização do blog'. (Como se isso fosse obrigatório, hunf)

Mas estou sim, "me afogando contra as ondas". Basta notar que os textos mais longos têm audiência ínfima. Minha sorte é que não sou assalariado para escrever, sequer patrocinado. Porque se o fosse, por certo eu já estaria "no olho da rua" há tempos!! [:p]

Ai, ai...

23.2.06

E depois da balada, "3º"motel

E depois da balada, minha solitária excursão (ou o certo seria 'incursão'?) ao motel. Como não gosto de ser repetitivo - tento ao máximo evitar isso - o escolhido dessa madrugada foi o Censiv, que estrategicamente fica ao lado do "Classe A", logo depois dele e, imagino, deva beneficiar-se com os clientes que se assustam com as tarifas deste.

Na portaria sou informado que não havia nenhuma suíte disponível.
- Nenhuma? - retruquei
- Nenhuma. - confirmou laconicamente a recepcionista.

Mas é claro! Numa madrugada de sábado para domingo quê mais eu poderia esperar? Ainda mais naquele horário (aproximadamente 3 para 4 horas do domingo), quando a maioria dos casais pré ou pós-formados na balada já se cansou de dançar e beber e, entregando os pontos ao desejo ou a uma boa cantada já partiu em busca de diversões a dois? Hum. E enquanto eu permanecia mergulhado nestes pensamentos, volta a recepcionista à janelinha:

- Senhor, estamos liberando uma suíte agora.
- Tem hidro? - perguntei. "Tem hidro e cadeira erótica", respondeu-me. "Pô, cadeira erótica no meu caso é completamente dispensável" - pensei e perguntei:
- E não tem previsão de nenhuma outra, a não ser essa?
- Não senhor. (e ficou me olhando com a evidente expressão de "E aí, vai querer ou não? Resolve logo! ")

Eu estava cansado, ansioso por um banho de imersão e aquela relaxada depois, vendo um filminho e acabei cedendo; meio que à contragosto, pois pagaria por um opcional o qual não iria usufruir (a cadeira, evidentemente). E assim, fui orientado a aguardar na garagem da tal suíte e pra lá me dirigi. Estacionei, abaixei o portão e fiquei esperando. Era possível ouvir o ruído da limpeza em andamento.

O tempo foi passando e nada da suíte ficar pronta; bem provável que o casal que havia ocupado-a tivesse feito uma bandalheira (pra não dizer coisa pior) lá dentro. Enquanto isso, minha bexiga foi ficando apertada, apertada... Ah! O inevitável efeito colateral da cerveja! Ainda segurei por alguns minutos, antes de bater na porta. Eu sabia que a faxineira estava lá dentro pelo barulho de seu trabalho. Só que fui ignorado. Agora, com a cabeça mais fria, entendo as razões dela. Vai que, ao abrir a porta, adentra um tarado com 'a coisa' em riste e a ataca? É, estava certa ela. Só que naquele momento minha continência urinária forçada nem queria saber. Esmurrar a porta implorando pra deixar entrar porque eu estava quase urinando nas calças seria arriscado, pois a faxineira poderia se apavorar e acabar interfonando para a recepção chamando o segurança para expulsar um maluco. E eu seria chutado do local, antes que tivesse tempo para me explicar. Levantei o portão e saí às pressas, a procura de alguma salvação. Pelo corredor, apenas garagens fechadas. Caminhei até a entrada, na esperança de conseguir falar com a recepcionista e expor-lhe meu drama. Foi em vão. Não havia nenhuma janela ou porta, ali. Apenas o sólido portão pelo qual eu havia cruzado ao entrar no estabelecimento.
Olhei em redor buscando alguma guarita, um banheiro dos funcionários e... OH! Avisto no outro lado do portão uma saleta iluminada. "Estou salvo!", pensei, "O segurança deve estar ali e com certeza me indicará um banheiro!!" e lá entrei. E tive uma das maiores decepções da noite: Não havia ninguém, lá. Apenas algumas mesinhas, cadeiras e uma pequena tv falando às moscas. Concluí que tratava-se da sala de espera... e sem banheiro! Voltei a caminhar apressadamente pelo penumbroso corredor, pra ver se minha suíte estava enfim liberada, mas... qual o quê! Ainda estava trancada!!
Não pensei duas vezes e saí da garagem novamente, desta vez disposto a me aliviar a qualquer custo, caso contrário seria obrigado a chamar uma tinturaria em plena madrugada. Ladeando o corredor havia uma jardineira. Só que eu considero demais as plantas e seria incapaz de fazer uma coisa destas com as inocentes flores que não tinham culpa alguma da minha bebedeira. E fui indo, indo, até a extremidade desse corredor. E o que se via dali é que era apenas um vértice entre dois corredores identicamente desertos. Reparei então que naquele trecho da jardineira não haviam flores, apenas terra e algumas pedras. Olhei pra um lado, pro outro, não avistei uma alma viva sequer por ali e então não tive mais dúvidas; foi lá mesmo que "reguei" a terra. (alívio!)

Agora, enquanto estou escrevendo, penso na grande probabilidade de que haviam câmeras de segurança filmando toda a minha odisséia em busca de um sanitário, e o máximo que o responsável pelo monitoramento fez deve ter sido torcer a cara ao ver um sujeito fazendo sua necessidade fisiológica na jardineira e exclamar: "Tsc! Mas bêbado é uma desgraça mesmo, hunf!". Puxa, mas nem pra mandar um segurança me abordar e tomar conhecimento da situação? Bem, agora já foi, né. E, por incrível que pareça, depois de tudo isso a faxineira ainda estava lá, a lavar alguma coisa. Deve mesmo ter sido um bacanal, a breve estadia dos ocupantes anteriores daquela suíte. Mas nem me importei mais com a demora e sentei-me dentro carro, suspirando aliviado. Minutos depois, era anunciada a abertura da suíte.

Suíte duplex: No térreo, sala de jantar e hidro; no pavimento superior, a suíte propriamente dita (cama, banheiro, chuveiro). A primeira coisa a ser feita, claro, encher a banheira. Enquanto isso, a "mini-exploração" do terreno, ligando a tv e fuçando canais, olhando o que tem de bom no frigobar, acendendo e apagando as luzes. E demorou, mas a banheira foi completada - até que era das grandes. Não perdi mais tempo e mergulhei.

A característica interessante desta hidro não está exatamente nela, mas no fato de haver considerável espaço livre em redor dela. Sendo que já conheci outras que mal possuíam espaço para deixar uma xícara de café nas suas bordas, nesta caberia tranqüilamente o almoço completo, e do casal. Ponto negativo para a pressão da água, mixuruca que só. Uma massagem simbólica, enfim.
No mesmo ambiente onde está instalada a banheira encontra-se a tal cadeira erótica. Observei-a atentamente e nada demais encontrei. Chega a assemelhar-se com um daqueles aparelhos de ginástica, só que sem os contrapesos. Não entendendo como poderia ser usado aquilo, procurei por algum manual de utilização e de fato havia um, fixado na parede. Embora protegido por uma capa acrílica, suas ilustrações já haviam perdido a nitidez. Ainda assim era possível ter uma noção das posições realizáveis e, não havia nenhuma que eu pudesse fazer sozinho, infelizmente. Até deitei-me nela e tentei inventar algo, mas foi em vão. Conclusão: Para os solitários como eu, a cadeira nada tem de erótica. E resolvo ir para a cama.

Saindo do azulejado e úmido piso daquele ambiente, dois degraus dão acesso à saleta de jantar. E foi no primeiro destes que meu pé deslizou como quiabo na manteiga e, numa fração de segundo, me vi estatelado no chão. Admito que em parte caí tão facilmente por estar embriagado, mas estou convicto de que o azulejo liso e os sinais de exagero de desinfetante no esfregão da faxineira ali usados também colaboraram para minha queda. Sorte que não bati a cabeça no degrau. E depois dessa eu aprendi: Jamais despreze o chinelinho fornecido pelo motel, pois ele pode salvar sua vida. Ou, no mínimo, poupá-lo de passar um enorme vexame ante sua(seu) companheira(o) de cama.

No mais, foi uma madrugada comum; a mesma cama (quadrada, que bom. Não simpatizo muito com as redondas), os mesmos filminhos, o mesmo ar-condicionado que não gelava decententemente (ainda estou pra ver um motel que ofereça ar frio realmente frio...), a mesma noite "fria"... enfim.

: T

21.2.06

Where's Wally?


A propósito do texto anterior, esta é uma foto tirada na noite em que lá estive.



E onde estou? Oras, mas é claro que estou ali à direita, no balcão do bar, feliz da vida saboreando mais uma Erdinger. Pena que o fotógrafo não me enquadrou.

: /

20.2.06

Não sou de "baladas", mas

Sábado passado fui no The Clock e, merchandisings à parte, quero falar sobre o local.


Como tenho certa fobia a regiões fervilhantes da noite paulistana, a localização desta casa noturna vem bem a calhar; fica em uma tranqüila avenida da zona oeste. Consegue-se chegar lá sem grandes percalços ( por 'percalços', entenda-se avenidas congestionadas por gente que estaciona em fila dupla, ou que resolve fazer uma paradinha em pleno meio da rua para paquerar garotas na calçada, ou estacionamentos que, quando não lotados, nos cobram "o olho da cara" para nos livrarem dos temíveis "flanelinhas" e seus sarcásticos sorrisos nos quais geralmente está declarado "Ou você me paga, ou quando você voltar aqui, só vai encontrar a marca dos pneus do seu carro no chão. Ou no mínimo, o vidro da porta estourado e uma bela "faxina" lá dentro! ").

Chegando ao local, nada de truculências por parte dos seguranças. Nenhuma revista, nenhuma implicância com minhas roupas que jamais fizeram o estilo baladeiro. Tenho consciência de que me visto mal, mas pouca importância dou a isso. E parece que a casa também não, achei ótimo. De levemente burocrático, apenas a exigência da apresentação de algum documento na entrada, o que é perfeitamente compreensível e demonstra que eles trabalham com seriedade.

O ambiente é pequeno, ao contrário de outros locais onde estive, e nisso também vejo pontos positivos: Deixa o clima mais íntimo, com ares interioranos - e eu, particularmente, gosto disso. Dificilmente alguém se perderia lá dentro, também. E digo pequeno, mas não apertado. É verdade que no ápice da noite - quando a banda convidada está tocando, por exemplo - há algum desconforto e trabalho para conseguir se locomover; mas nada semelhante a lugares onde estreitos corredores mal comportam o "baile" de cadeiras a que somos obrigados realizar, cada vez em que precisamos nos levantar. E falando em cadeiras, creio que lá não existem, pois as mesas são fixas, exatamente ao estilo das antigas lanchonetes americanas, como é adequado ao tema da casa. Aliás, pra quem ainda não visitou o site (linkado logo no início deste texto) e nem desconfia do motivo que inspira o nome deste rock bar, vou ser direto e reto: Vem de "Rock around the clock", sucesso de Bill Halley, na década de 50. E assim, fica evidente que é um bar temático, de estilo e de época. Sem que para isso seja preciso cair na caricatural reprodução de tudo e de todos.

A simpatia é uma das maiores características e ela trasmite-se, principalmente, nas boas-vindas que o mestre-de-cerimônias dá, no começo da noite. E não é apenas um singelo "sejam bem-vindos"; a equipe da casa é apresentada. E apresentam-se. O que vem em seguida igualmente inclui-se nesta boa impressão que tive, que é a aula de dança. Eis um grande diferencial, a meu ver. A alegação de desconhecer os passos clássicos logo deixa de ser motivo para que você entre na pista e se divirta. É também uma ótima maneira de aproximação entre a casa e os novos visitantes.

Outro ponto interessante é a heterogeneidade dos freqüentadores, que vai desde os mais caracterizados com vestimentas e penteados à moda daqueles tempos, aos mais sóbrios e neutros, passando pelos que nem sabem se vestir direito, como eu. O luxo e a modéstia parecem conseguir conviver harmonicamente na mesma pista de dança, sem atritos, sem destoarem entre si. E muito variada também é a faixa etária dos presentes, o que prova que o rock - aproveitando o bafafá da vinda do grupo inglês ao Brasil - "pré-Rolling Stones" também veio pra ficar. Muito mais "dinossáurico" que os ingleses que lotaram as areias de Copacabana, Bill Halley, Chuck Berry e tantos outros que possivelmente apenas nossos avós ainda se recordam, são capazes de atrair e divertir não apenas anciões de alvos cabelos, mas também moças e rapazes que nasceram quando Elvis já estava morto, enterrado e transformado em cinzas, pelo tempo.

Destaco também a performance dos barmen, que não se restringem a apenas servir as bebidas pedidas; sempre dão um jeito de incluir algum malabarismo no manuseio das garrafas, o que torna-se uma atração à parte e, convenhamos, isso 'enriquece' o drink aos olhos do cliente. E como se isso não bastasse, ainda nos oferecem um show pírico, no auge da noite. Assim temos a visão mais autêntica possível de "Great balls of fire", sucesso de Jerry Lee Lewis. Ao som da mesma, como não poderia deixar de ser. Fantástico.

Pra finalizar, sinto me injusto por excluir - embora não intencionalmente - o trabalho das garçonetes e os lanches, pois como sempre vou lá só pra beber e fico no balcão do bar, não poderia emitir uma opinião a respeito. Mas acredito que ainda farei isso, um dia, pois esta casa chamada "The Clock" tem me agradado muito e tenho certeza de que ainda levarei mais pessoas para conhecê-la.
: )


Informação ilustrativa: Elvis Presley morreu em Memphis, no dia 16 de agosto de 1977 e, portanto, quem nasceu depois de seu falecimento tem hoje, no máximo, 28 anos de idade.

17.2.06

Gazzaguicidei-me

Anteontem apaguei meu cadastro do Gazzag, um dos filhotes do orkut. Fato irrelevante, visto que eu era apenas uma figurinha estagnada, lá. E justamente por isso achei que nem mereceria um comentário mas, enfim, cedi à minha tagarelice de letrinhas – e de quebra, à momentânea falta de assunto, também.

Por que eu havia ido parar lá? Hah! Por causa dos constantes convites que não paravam de lotar a minha caixa de mensagens. Ah, maldito recurso do "Convide toda sua lista do Messenger, Yahoo, Orkut etc etc num só clique!", bah! E lembro que foi da mesma forma que fui parar no DotNode (clone francês do orkut), no NetQi, no Fulano, e sei lá mais onde. Acabei desligando-me de todos, com exceção do orkut original e o Multiply, que tem o mérito de ter sido a minha "válvula de escape" naqueles tenebrosos tempos em que o orkut te mandava pra trás das grades por qualquer coisinha que você fizesse. Às vezes, mesmo que não tivesse feito. Acho que era uma espécie de DOPS orkutiano; se não fosse com a sua cara, te encarcerava.

Quanto ao Gazzag, este veio, ficou e passou. Tão despercebido quanto o dia 2 de fevereiro; Dia Mundial das Zonas Úmidas. E o que vem a ser isso? Isso existe? Existe. Pelo menos é o que afirma a minha agenda, naquelas microobservações de rodapé. E lá (no ostracismo) ficará também o tal do Gazzag, com um membro inativo a menos. Por certo ninguém notará, como raramente notam se há um paletó a mais, ou a menos, 'representando' a presença de um deputado na Casa. E fico no orkut, onde finquei minha bandeira. Apesar de tudo. E de todos... os erros de servidor.

Pra concluir, persisto na minha esperança de que um dia as crianças – tanto as menores de 18, quanto as maiores – enjoem-se do "brinquedo" e partam em busca de outros "playgrounds"...
( Em tempo: Assim como conheço "crianças" maiores de 18 anos, também conheço menores de idade que não deixam nada a desejar, no quesito consistência de opinião e caráter, em relação aos adultos. E a estes não me oponho a presença. Pena que sejam tão poucos... )

: T

16.2.06

Enquanto isso, noutro local...

Este pequeno debate teve início em uma comunidade... ahn, "alternativa", lá no Orkut. Tudo começou quando eu me prestei a um momento de lamentação e minha amiga Lia respondeu. Eu, como não poderia deixar passar, trepliquei. E cá está:

EU: A abstinência sexual causa depressão?

Ontem saí de minha "toca", andei um pouco pela cidade. Respirar ares diferentes me fez bem, mas outra coisa me causou certo desconforto: A visão da abundância – sem trocadilhos baixos – feminina nas ruas. Parece que isso despertou o peso do longo período que tenho passado, sem ter nenhum contato sexual com uma mulher. E veio a tristeza.

Em parte, agravada pelo tempo que vejo se esvaindo impiedosamente, trazendo todas as suas marcas...
Sinto que estou perdendo um tempo valioso. E que quando eu 'puder', não mais 'conseguirei'.
Triste, triste.
: /

LIA: Ah... taí um aspecto da vida urbana moderna: andar na rua, ver um monte de gente (inclusive do sexo oposto) e não conhecer ninguém. Dá uma sensação de isolamento. Bom, é o que eu sinto e às vezes acho um pouco deprimente; mas gosto de andar na cidade assim mesmo.

O que causa depressão? Teríamos que saber quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha. Isolamento? A tal abstinência (que pode ser resultado do isolamento)? Ou até mesmo a discriminação contra os solteiros? E por que existem nas pessoas que têm vida sexual ativa e mesmo assim parecem insatisfeitas?

Perguntas, perguntas, perguntas...

• • •

Ora pois, se os que têm vida sexual ativa são tristes, é possível que o que lhes é farto torna-se tão banal que acaba perdendo a graça, talvez? Ou o 'foco' da felicidade não esteja numa relação sexual. Pode estar em devorar sozinho um caramelado pudim, por exemplo. Que o diga o diabético, né? Ou a mesma coisa no caso daquele que foi terminantemente proibido por seu médico de chegar perto de uma suculenta picanha na brasa, e lhe dói o coração – metaforicamente falando, claro – de saudades cada vez em que passa ao lado de uma churrascaria em plena atividade e seus desejos (comestivelmente) carnais são traiçoeiramente atiçados pelo olfato... Hum, coitado.

E a discriminação aos solteiros é um grave problema social. Não se pode ser solteiro neste mundo. Se é homem, é rotulado de homossexual (ou coisas piores); se é mulher, "converte-se" em sapatona ou frígida. E se – nós, os singles – resolvemos sair para nos divertirmos... ou ao menos, tentar, nos vemos forçados a assistir cenas... desafiadoras de certo ponto de vista, desaforadas de outro; os casais se beijando. Me revolto. Quando estou no balcão do bar, até que vá lá, deixo o casal se amassar à vontade ao meu lado, enquanto afogo minhas mágoas 'beijando' sofregamente a taça de chope, hunf. Pior ainda é na fila do caixa do supermercado, ou do banco. Ah, que raiva que me dá! Mas... onde eu estava mesmo? Ah sim, lembrei.

E o isolamento...
Pois é. Admito que tenho me isolado. Talvez, pela comodidade em passar o final de semana inteiro sentado em frente a este monitor, tão passivamente quanto um pé de alface. Sem enfrentar trânsitos, flanelinhas ou estacionamentos que nos exploram à vontade, a menos que vc pretenda se arriscar a deixar seu carro na rua e não mais encontrá-lo, na volta. Também independo de garçons que fingem não vê-lo ( ou, 'me ver' ) nunca, apesar das constantes tentativas com o dedo indicador levantado e "Ahn... por gentileza?" ... "Ô, por favor... " e outras menos cotadas. E também gasto bem menos dinheiro, é verdade, mas em (des)compensação, creio que não tenho me divertido tanto quanto o poderia, se me atrevesse a entrar na pista, como antigamente fazia – Sim! Eu já fui jovem, um dia. [enxergando-me como um velhinho entrevado] – e, entre desajeitados passos de dança e algumas pisadas nos pés de outrem; num conveniente esbarro , quem sabe, iniciar uma agradável conversa?

"Agradável conversa"? Num pista de dança? Sei não, viu...
Já viram como é, ou como costuma ser? Eis aqui uma hipotética abordagem em plena pista:
(evidentemente o som no local é ensurdecedor. O homem e a mulher estão dançando. Eles começam trocando olhares, e estes são retribuídos mutuamente com sorrisos; é a hora do ataque. E lá vai ele)

– Oi! Legal esta música, hein?
– Hein? Não entendi!
– Eu disse que esta música é legal! A MÚSICA É LEGAL!!
– Ah, é sim. (e ela continua com seus passos)

– Você vem sempre aqui?
– Oi, O quê??
– VOCÊ VEM SEMPRE AQUIII ?
– Ah, nem sempre! Hoje vim co... (e o DJ aumenta o volume, repentinamente)
– Hein? Você vem... o quê?
– Fala mais alto! Não tô te ouvindo!!
VOCÊ DISSE QUE HOJE VEIO, MAS NÃO ENTENDI O QUE, arf arf arf , QUE VOCÊ DISSE DEPOIS !! arf arf...
– Vim com a minha prima!
– O que? Com a sua tia?
– Nãããão. Com a minha PRIMAAA!
– Ah sim!

É, não ia dar certo mesmo...

(: /

9.2.06

Yes, nós temos Leiaute

Um comunicado oficial (e sério) publicado por uma entidade pública igualmente séria em um jornal é que me levou a pensar sobre o assunto. Não é um assunto novo – muito pelo contrário, é bem antigo sim – mas é interessante aos que apreciam a nossa língua (cada vez menos) portuguesa.

" Leiaute " foi o termo ali empregado, no tal comunicado. E "leiaute", evidentemente, é o inglês "layout" em versão 'digerível' para qualquer brasileiro, quer ele esteja familiarizado com a língua de Shakespeare ou não. Pois bem. Que existe uma palavra perfeitamente equivalente a ela em nosso dicionário, isso é fato. E então, por que não usá-la? Ora pois, porque "layout" é muito mais chique!
( Bah! )

Não pretendo chegar ao ponto xenofóbico dos lusitanos que não manuseiam mouses e preferem pôr a mão num rato (hehe he), mas daí a defender-se o aportuguesamento do layout é meio exagerado, não? A propósito, em toda minha vida jamais ouvi alguém ler essa palavra como " laiouti ".

E paira sobre a já tão estuprada – e "estrupada", nos casos mais graves – Língua Portuguesa o sombrio cenário de um futuro talvez não tão distante, onde não estaremos mais teclando sobre um teclado e sim sobre um keyboard. Que os neo (ou "new", mais apropriado?)-linguístas logo nos farão o "deserviço" de convertê-lo para " kíbor "; para que a 'grã-finesse' de possuir-se um "anglo-teclado" chegue ao alcance de toda a população, desde os iletrados aos letrados, passando também pelos "desletrados".

Ugh.

3.2.06

Tsc! Ah! Líneas.

Quem tem conta bancária e recebe pagamentos em cheque, por certo já deve conhecer a infâme 'Alínea 11', vulgo "borrachudo", o infeliz sem fundos. Ontem, lendo uma reportagem no jornal, percebi uma alínea que nunca recebi até hoje – Graças a Deus! Claro – a 14.

Pois bem, e qual o motivo que leva um cheque a voltar em suas mãos por essa alínea? Resposta: A prática espúria.
Certo, certo; então é devido a prática espúria. Mas... O que raios vem a ser uma prática espúria?!
Creio que meus leitores da área jurídica devam estar familiarizados com essa definição, mas eu – que pertenço a plebe rude que razoavelmente consegue traduzir tudo o que um contrato de locação diz, por exemplo – precisei pedir socorro ao meu querido livrão, o Dicionário. E eis o esclarecimento:

ESPÚRIO, adj. Designativo do filho adulterino, incestuoso. ( Vixe?! [:o] Mas continua...) Por ext. Bastardo; ilegítimo. / Fig. Falsificado; adulterado. ( Aaaah bom. )

Imagino um dos dez mandamentos do bom correntista:

– Não adulterarás! Quer seja sua assinatura ou o valor recebido.

E logo concluí que essa alínea deveria vir nos cheques falsificados. Conclusão apressada e equivocada; o falsificado ganha a alínea 35. Então, com a assinatura falsa? Também não, essa é a alínea 22. Rasuras? Letra ilegível propositalmente? Alínea 47! Preenchimento incorreto? Alínea 31!! Mas que coisa! O que é então, essa tal de prática espúria? Pensemos...

E se Fulano das Tantas Jr. furta uma folha do talão de cheques de seu pai, Fulano das Tantas, e passa-o, como sendo próprio?(Uso incestuoso de ordens de pagamento?!) Ah, não seria considerado tão bastardo assim, acho. Ou se algum homônimo meu rouba meu talão e passa a usá-lo, como se fosse dele? (Isso é falsidade ideológica, acho) Ou senão...

UTZ! Esta alínea 14 está dando um nó em minha cabeça, ai.
E olha que ainda tem a alínea 37 ( "Registro inconsistente" – e qual a consistência apropriada?), a 27 ( "Feriado municipal não previsto" – Ué, e daí que for feriado?), a 40 ( "Moeda inválida" – Jamais aceite um cheque que intencione te pagar em contos de réis) e também a 44 ( "Cheque prescrito" – Não adianta guardar seus cheques na geladeira. Assim como o leite longa vida, cedo ou tarde eles se tornarão impróprios para consumo. Ou, compensação, no caso).

Eu, hein.
Nenhuma saudade tenho, de meus tempos de bancário...

(: /