25.10.05

Virtuais... cartas de amor

Que a informatização - e principalmente o acesso a internet e seus mais variados conteúdos - veio para agilizar nosso dia-a-dia, é fato consagrado e consumado (e consumido, também, diga-se de passagem). Mas dentre os avanços atingidos pela conseqüente revolução de costumes, ao menos um há, que me atrevo a considerar 'passo em falso': As cartas de amor.

Em tempos idos - ou, só para tentar impressioná-los, poderia dizer 'No século passado' - a missiva dos apaixonados era manuscrita. Não voltarei ao tempo do bico-de-pena e lamparina - que não sou tão idoso assim, hahaa - mas às áureas épocas em que a Bic reinava absoluta em punhos colegiais.
Embora mesmo que nessa época a criatividade não fosse imprescindível - pois nada impedia que os menos inspirados copiassem descaradamente alguns versos de um livro de poesias ou mesmo recorressem aos "manuais de redação sentimental" que existiam à venda, - as cartas eram mais autênticas.

Haviam naquelas folhas certas evidências que, se não de sinceridade, eram de estado de espírito. Quase sempre imperceptível ao remetente, o tracejado das linhas era variável (conforme seu humor). Ou que me contradiga quem possui a grafia inalterada; quer seja no momento eufórico, ou no melancólico, ou nas demais variantes.
Não sou grafólogo, mas afirmo que a escrita dos amantes 'sobre o mar de rosas sem espinhos' diferia, e muito, da feita pelos quase-neuróticos (de ciúme, talvez?), a perfurar e/ou quase rasgar o papel. Ou a do lado mais frágil - que tanto poderia ser a mulher, quanto o homem - e suas palavras mal desenhadas sobre uma folha que quase sempre chegava às mãos do outro com manchas provocadas por supostas lágrimas, nas temidas fases do "Vamos dar um tempo?" e suas trágicas conseqüências.
E tudo isso, sem nem falar sobre os envelopes perfumados...
Os coraçõezinhos desenhados com canetinha colorida...
E a assinatura, que vez ou outra vinha acompanhada do 'carimbo' de um autêntico beijo e seu rubro batom?

É... são coisas que não existem mais, hoje em dia. Pelo menos, não tanto quanto outrora.

Hoje, em poucas tecladas - que podem ser apenas o preenchimento dos dados básicos (remetente/destinatário) - e um ou dois cliques do mouse, é possível enviar para qualquer lugar do planeta - sem precisar pagar taxas postais e nem temer greve dos correios ou que sua caprichada cartinha chegue à sua amada (ou ao seu amado) toda amarrotada - exuberantes e ardorosas mensagens de amor. Com requintes de som e animação, dão um verdadeiro espetáculo de apresentação.

Jamais questionarei a autenticidade de sentimento de quem envia um cartão virtual, - ainda mais que eu mesmo também costumo enviar alguns, às vezes - só que destaco esse lado fraudável das cartas... ou, melhor dizendo, dos e-mails apaixonados: A falta do toque humano. Da personalidade. Do calor - ou da frieza, conforme o caso - humano...

Frescura minha? É, pode ser.
Mas temo o dia em que até o cafuné for virtual. Imagino algo assim: Utilizando-se de um capacete sensorial (seja lá o que for isso), o agraciado pelo cafuné online clicará no local indicado na tela (ou seja lá onde for) e imediatamente sentirá algo a acariciar seus próprios cabelos. Ugh!!

: o

15.10.05

Que distração...

Há pouco que percebi a falta da minha foto, aqui. Talvez já tivesse visto esse defeito antes, mas nem dado tanta importância, já que em outros sites... ou, pra ser exato, no orkut é freqüente o sumiço de imagens. E, quando menos se espera, lá estão elas de volta, no mesmo lugarzinho de antes. Intactas. Como se tivessem apenas saído pra tomar um cafezinho na sala ao lado e retornado.

Aí pensei: Caramba, será que fui hackeado? Mas logo descartei essa hipótese, pois hacker que se preza ataca grandes sites, ou então, aqueles blogs que têm mais visitas que velório de papa... e estou bem longe de atingir esse estrelato.
A foto foi roubada? Huh? Claro que não. Primeiro porque não creio que ninguém fosse se interessar por aquilo, e segundo porque, do jeito que é fácil copiar/colar hoje em dia, quem se daria ao trabalho de furtar 'fisicamente' um arquivo? Nunguém! Por mais desocupado que fosse.

Foi então que resolvi olhar meus dados aqui dentro e lembrei-me: Quando criei o perfil, a imagem precisava estar hospedada em algum site ou servidor. E como eu estava no Beltrano, resolvi usar uma das minhas imagens que lá estavam. Até aí, tudo bem. Só que, tempos depois, resolvi sair de lá e me esqueci disso! TONTO!
Não que eu me arrependa de ter saído de lá, mas de me esquecer completamente disso. Pô.
E então, enquanto providencio um outro local para hospedar minha foto daqui, vou ficar com esse "avatar que não é um avatar".
Só para lhes dar uma satisfação a respeito.

: )

13.10.05

Um dos perigos de um chat

Ultimamente tenho recebido protestos indignados por parte de uma recém-conhecida de chat, afirmando que desprezo-a por ser casada. Evidente que isso não passa de eqüívoco, mas mesmo assim me senti na obrigação de vir a público dar os devidos esclarecimentos.

No que tange a relações com o sexo oposto, sou da opinião que é preciso ter muito cuidado. É preciso ter tato, sensibilidade. Não somente pela presumível delicadeza da mulher, visto que existem as flores que nem se cheirem; mas pelo risco de uma frase, uma palavra, ou mesmo simples reticências serem mal interpretadas. Nesse quesito posso afirmar que é muito mais simples lidar com a pessoa do mesmo sexo: Na hipótese de alguma frase dúbia, o sucinto diálogo a seguir resolve tudo num piscar de olhos:

– Pô, tá me estranhando?
– Foi mal, desculpa aí.
– Falou.
– Falou.

Entretanto...
Quando o interlocutor é feminino... e heterossexual...
Tudo pode ser interpretado das mais variadas formas. Ainda mais se não existe o olho-no-olho que nos livra do vexame de enxergar entrelinhas inexistentes nas palavras do outro. ( Hmm. Imagino leitoras reclamando de serem taxadas de burras. Não, não é nada disso. Tá, tudo bem, admito que nós homens também entendemos tudo errado, às vezes. Como o polêmico termo 'carência', que na grande maioria das vezes só quer dizer – para elas – a falta de alguém que as ouça e compreenda e lhes dê uma palavra de apoio. Bem diferente da carência masculina, que significa uma coisa só: Falta de sexo). Pois bem, mas voltando ao ambiente virtual...

Ciente da variedade de interpretações que nossa linguagem oferece, portanto, prefiro manter-me à uma certa distância de mulheres comprometidas. É uma precaução que evita provocar namorados/noivos/maridos e congêneros ciumentos. Ainda mais se são daqueles que têm ciúme até de sua própria sombra. Pode ser considerado frieza, esse distanciamento? Pode. E torna-se cada vez mais distante, à medida que o outro lado tenta levar a conversa para um lado mais... ahn, digamos... íntimo.

: T