Num belo dia, surge minha amiga M. me convidando para ir na tal da parada gay. Penso um pouco... Raramente saio de casa, se recuso esse convite, por certo passarei o domingo inteiro sentado em frente a um monitor, como sempre... Nem sou gay pra ir lá, mas se nem ela é e no entanto está me chamando... e resolvo ir, aceito o convite.
Depois da confirmação veio o temor.
E se eu for assediado por um gay? Não terá problema, pois estarei "escoltado" por amigas. E depois pensei em algo que não havia cogitado antes: Ih ! E se minhas próprias amigas é que são ?!! Apesar da estranheza inicial, concluí que também não teria nada demais, no máximo eu presenciaria mulheres se beijando. E veio o dia.
Avenida Paulista sob um belo sol de mais de 20 graus, 11 horas da manhã, o horário previsto para o início do evento. A avenida quase deserta. Carros de som ainda mudos, pouca gente na pista. "Acho que a coisa será tranqüila", pensei. Mas a aparente tranqüilidade durou pouco. Em poucas horas as seis (ou seriam oito?) pistas da grande avenida já estavam repletas de gente. Em certos trechos, só conseguíamos passar no meio da multidão na base dos empurrões. Ou empurrávamos, ou éramos empurrados. E agora sim os carros de som exibiam a quê tinham vindo: O som fazia o povo vibrar. E não só o povo. Vibrava o solo, vibravam até as estações do metrô. De dentro de algumas delas era possível sentir as batidas graves do tecno (estilo predominante) despejado sem dó nos ouvidos de quem estava por lá. E eu ali, no meio daquele mundaréu de gente.
Apesar da confusão sonora provocada pela disputa de potência de som entre os carros, minhas amigas se divertiram. Bem, pelo menos estavam dançando. Eu só seria capaz de fazer isso embriagado, mas evitei tomar cerveja pra não passar pelo desespero de precisar de um banheiro. A prefeitura havia instalado sanitários em alguns locais, mas eu é que não gostaria de depender deles; primeiro pelas filas formadas e depois, só de imaginar a sujeira que deveria estar. E me mantive sóbrio.
O cenário, como já era de se esperar, estava bem variado. Uma variada fauna, eu diria. Mais homens? Mais mulheres? Impossível saber. Também impossível saber quem era o quê, fora os que estavam devidamente caracterizados. Gay? Bi? Enrustido? Só dava pra reconhecer quando, entre um olhar e outro, acabávamos avistando o "másculo" casal num molhado beijo de língua. ARGH. Não mentirei, sinto mesmo nojo disso. Mas eu não poderia fazer cara feia olhando a cena, já que a festa era deles, né. O jeito era disfarçar a surpresa e olhar pra outro lado. Enquanto isso, drag queens davam seu espetáculo à parte, com seus adereços carnavalescos, tudo muito emplumado e colorido. E não sei qual dessas espécies que ligeiramente mexeu em meus cabelos, comentando algo sobre minha etnia e desaparecendo no meio da multidão. Foi minha sorte não ter visto, pois a amiga que estava ao meu lado viu. E disse que pouco se parecia com uma mulher. Ai. No mínimo deve ter sido um travesti. E dos feios.
Fora isso, nenhum incidente grave. Talvez um ou outro olhar masculino - ou nem tanto - interessado em minha direção que, obviamente não retribuí; mais nada. Uma festa ruidosa, colorida, impressionante. 1,8 milhões de participantes segundo estimativa da Polícia, mais de 2 milhões segundo os organizadores, o fato é que nunca vi, ou melhor, nunca estive na Paulista daquele jeito. E o dia terminou com um animado café entre amigos, no Espaço Unibanco. Um ótimo e diferente domingo.
: )
5 comentários:
Ai que inveja! Adoraria etsar lá... :( De preferência, levemente embriagada, claro.
Bebida é o que não ia faltar, Florzinha.
(: )
Ótimo conhecê-lo, cara-pálida. E eu vi você matando um gole do vinho tinto de R$4,99. A-ha!
Beijinho!
Ah, Ricardo... fiquei com gosto de quero mais. Certamente vc tem mais algo a escrever dessa festa loucamente colorida e barulhenta. Adoraria ter participado! Não, não sou gay nem nada, mas adoro essa fauna (pensando bem: pq não sou gay? ah, é que nasci gostando de homem). Só não fui por causa do feriadão... Da próxima, vamos juntos! E bebendo, viu? rs.
Algo mais? Acho que não tenho não, Ana. Quem esteve lá pôde comprovar: Em meio ao povo que dançava frenéticamente lá estava eu, estático como um espantalho.
Mas não posso dizer que não me diverti; foi ótimo para rever bons amigos e para passar um dia diferente, já que sou tão caseiro, né?
: )
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