12.3.05

Ravel, Ravel

Gostaria de comentar aqui uma música em especial que, não nego, amo demais! É o Bolero de Ravel.
Há quem o deteste por sua cadência repetitiva, mas eu adoro justamente por isso. E vou explicar o porquê.
É necessário certa dose de imaginação e... vamos lá.

Ela inicia silenciosa, tí­mida, acanhada...
Sinto como se fosse um amigo que me vê deprimido, começa a acompanhar meus passos indecisos. Ouve calmamente todas as minhas lamúrias. Tem no olhar aquela compaixão tí­pica de quem se importa profundamente conosco. Nesse trecho, ele apenas escuta e vai caminhando junto.

Os instrumentos vão surgindo na melodia.
Ele põe a mão no meu ombro e começa a combater minhas idéias pessimistas com palavras de carinho, de apoio. Para cada pensamento cravado na escuridão, ele possui um argumento tão sensato que sou incapaz de retrucar. Enfim, consigo exprimir um sorriso, embora ainda contido.

A orquestra soa forte, os instrumentos de sopro soam a plenos pulmões!
O amigo me sugere o caminho certo, eu vejo a Luz adiante. Agora ambos estão sorrindo. Caminhando a passos firmes e decididos rumo ao sucesso. Ah! Quanta alegria! Respiro o ar com uma satisfação que não possuía antes e agora posso seguir em frente sem vacilar!


(risos) Duvido que essa tenha sido a inspiração do Ravel quando compôs esta música, mas é assim que eu a 'vejo'. Seria uma tradução livre, uma alucinação criativa que tive. ( e tenho, sempre que a ouço)
Uma verdadeira musicoterapia.

: )

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