31.3.05

O lixo ... no lixo!!

Indignado. Fico indignado.

Na oficina vizinha à minha existe um vaso com plantas. Um grande vaso.
Como eles raramente se lembram de cuidar das coitadas, sou eu que vou lá de tempos em tempos para regá-las. E hoje me deparo com a cena deplorável: Algum sujeito havia jogado um copinho de café, desses descartáveis, dentro do vaso. Presumi que tenha tomado seu cafezinho enquanto aguardardava a conclusão do serviço em seu carro e, na hora de jogar o copo usado fora, o colocou ali.

Que raio de adulto é esse, fico a pensar. Teoricamente era um adulto, pois perguntei ao pessoal da casa se crianças haviam passado por lá e a resposta foi negativa. Foi um adulto. Desses que a natureza deve se lamentar que ainda existam.
No meu í­ntimo, a vontade era a de enfiar aquele copinho colarinho adentro desse indiví­duo.
Ah, que falta de educação. Que falta de respeito para com a natureza.

E isso porque existe um coletor de copos usados ao lado da bancada de água e café; e um cinzeiro/ lixeira ao lado das cadeiras, no espaço reservado para espera. Revolta exagerada de minha parte? Não creio...

Posso mesmo ser um sentimentalista, um amante das plantas, do verde. Mas certas atitudes são inaceitáveis. As plantas são tão vivas quanto eu, você, um cachorro, uma abelha. Tratá-las como lixo é, a meu ver, desprezar seu próprio irmão, sua própria mãe.

( olhando para o céu... )

Quando eu estiver lá, quero ser um jardineiro...
(: )

29.3.05

Nomes eternizados pelo uso contí­nuo

Sempre impliquei com um compartimento do automóvel denominado porta-luvas.
Oras, o motivo não poderia ser outro senão esse nome! Há séculos que o costume de se usar luvas para dirigir caiu em desuso. Tudo bem, tudo bem, os pilotos usam luvas até hoje, alguns motoristas metidos a Speed Racer também, mas as pessoas comuns, os motoristas normais...

Porta-luvas é um nome antiquado.
Hoje em dia pode se encontrar de tudo ali dentro, lenço de papel, guia, óculos, caneta, balas, preservativos, remédios, cds, fitas de ví­deo, gibis, bí­blias, e até mesmo uma calcinha. Mas um par de luvas, não.
A questão que veio a seguir foi: Que nome seria adequado, então?
Já se convencionou chamar de porta-treco (ou porta-objeto) todos os outros espaços espalhados pelo veí­culo, como as laterais das portas, o console e outros espaços que inventam na parte traseira das vans.
Porta-coisas? Porta-qualquer coisa? Porta-tudo? Porta-O que couber?

Chego a conclusão de que o nome perdura até hoje porque não existe nada mais... ahn...
nada mais... tradicional, pronto.

Hoje percebi que outra denominação permanece parada no tempo: Vira-lata.
Os entendidos na área os chamam de mestiços ou "sem raça definida".
Ou SRD, já que siglas parecem soar mais chiques. ( haha )
Pois é.
Já se foi o tempo em que o nosso resíduo domiciliar de cada dia era depositado em latas metálicas. Ah, saudoso o tempo em que tinhamos uma lata de lixo como aquela imortalizada no desenho animado do gato Manda-chuva e sua turma. Sim, naquela época os cães andarilhos realmente viravam as latas a procura de algum alimento. Hoje, com a completa extinção das latas, talvez fosse a hora de começarmos a chamar esses cachorros de "Rasga-sacos"...

: p

22.3.05

Pobre São Paulo, Pobre paulistano

Temos nesta capital uma avenida que se tornou um sí­mbolo da cidade, a Paulista.
Como uma reação ao centro antigo, já decadente, esta avenida e seus arredores se tornaram um novo centro, no qual se instalaram, entre outros, embaixadas e bancos, em edifícios de design arrojado.
Tudo muito moderno e vistoso, a Avenida Paulista é hoje o cartão-de-visita da cidade. Habitar a Paulista e seus arredores é motivo de orgulho para muitos.
No entanto...

O brilho desta avenida de largas pistas também serviu para atrair a atenção ... de quem quer, ou precisa chamar a atenção de alguém. E por "alguém", entenda-se "mí­dia".
Já fui bancário e trabalhei por 8 meses em uma agência localizada na Paulista.
Presenciei muitas passeatas, piquetes e também fui muito prejudicado por todas elas. Independentemente do fato de ser por uma causa justa (ou não) , elas prejudicam o trânsito, o comércio, seus trabalhadores e moradores.

Sempre que vejo mais uma nos noticiários, penso no sambódromo.
Já pensaram nisso?
Temos um espaço com total infra-estrutura para cobertura jornalística que só é utilizada plenamente alguns dias por ano! Tudo bem, eu sei que ocorrem eventos ali, fora da época de carnaval, mas mesmo assim, são poucos!

Imaginem:
Todo grupo de pessoas que quisesse fazer uma passeata, bastaria agendar com antecedência suficiente ao administrador do sambódromo (que nem sei quem é, talvez seja a prefeitura?) e com a imprensa, a fim de que estes estivessem presentes no local na data prevista, para devida cobertura.

Os manifestantes poderiam fazer suas reivindicações à vontade, poderiam inclusive realizar um "panelaço" sem incomodar quem nem tem culpa e seriam televisionados, entrevistados. Mais confortavelmente que em uma via pública, creio.

Quem dera, quem dera...
Que um ou mais vereadores se interessassem por esta idéia, mas não...
O que lhes interessa é o dinheiro. E reduzir um pouco o sufocante trânsito paulistano não lhes rende lucro financeiro algum. Triste realidade.

19.3.05

Sucateiros

Dirigindo por estas ruas paulistanas fiquei a pensar nas pessoas que vivem do volante.
Já cheguei a conhecer um taxista que afirmava com total convicção que tinha abraçado a profissão por gostar de dirigir. Mesmo que numa capital estressante como esta. Fiquei admirado.
Certamente é um felizardo, ou... um menos infeliz, na selva de pedra. Mas creio que a grande maioria sofra, e muito, as agruras de se locomover de um ponto a outro...

A pressa sempre presente, indo a algum lugar, ou voltando de outro, ir receber ou entregar, cada qual com sua missão, carregando sua cruz de metropolitano. Vejo a quantidade de catadores de sucata e seus carrinhos aumentarem a cada dia, atrapalhando ainda mais o fluxo do trânsito, que já é moroso por si só. Antes eu ficava irado com isso, mas depois que passei a ver cada uma daquelas pessoas como um criminoso a menos em ação, passei a ser mais tolerante com esse estorvo adicional.

Todo pessimista irá dizer que são uns réles vagabundos que desprezaram a escola e caí­ram na bebida, mas conheço alguns que não se enquadram nesse estereótipo. Pais de famí­lia que, desempregados e excluí­dos por uma concorrência de mercado desigual, perderam tudo que possuíam, exceto a dignidade.
Com um carrinho improvisado, muitas vezes a carcaça enferrujada de uma geladeira velha sobre um eixo com duas rodas, vão coletando todo o material reciclável que os moradores depositam nas lixeiras ou simplesmente abandonam na via pública. Na tração, a força que reside nos braços e no peito de um brasileiro. Pés no chão e suor honesto completam o cenário.
O que é lixo e nada mais para alguns, para eles é o mirrado dinheiro que lhes possibilitará a sobrevivência, ainda que precária.

Portanto, ao avistar algum, tente fazer como eu.
Acredite que, se aquela pessoa não estivesse ali, a arrastar o carrinho e atrapalhando a passagem do seu carro, poderia muito bem estar armado e aumentando as estatí­sticas da criminalidade...

18.3.05

Outra do Todo Poderoso Severino

O exmo sr. presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, continua incansável em sua batalha para reforçar a imagem que grande parte da população já tem sobre os polí­ticos: A dos que "mamam nas tetas do governo". Uma expressão grotesca, sem dúvida, mas qualquer coisa mais delicada que isso não traduziria a revolta que nós, contribuintes, devemos estar sentindo neste momento.

Ontem o dito cujo aprovou sem votação em plenário o aumento de 25% nas verbas de gabinete de cada deputado, que passa dos atuais R$ 35.350 para R$ 44.187.

Vale lembrá-los de que, além do salário de R$ 12.817, cada deputado já recebe mensalmente R$ 15.000 para a manutenção de seus escritórios regionais, R$ 3.000 de "auxí­lio-moradia" e mais R$ 15.000 para passagens aéreas, correio e telefone.

E pra fechar este desabafo com "chave-de-ouro": Deu no JT, o Jornal da Tarde de São Paulo...

( Em sua repartição própria com área de 180m² )
" ... Severino tem outra sala, de 40m². Lá, teoricamente é área de trabalho de 20 assessores que ele tem à disposição por ser deputado. Ontem, havia só uma funcionária, jogando paciência no computador."
18/03/2005


No dia da malhação do Judas, eu adoraria massacrar um boneco com a cara desse sujeito.
Ou, melhor ainda: O próprio!

): [

12.3.05

Ravel, Ravel

Gostaria de comentar aqui uma música em especial que, não nego, amo demais! É o Bolero de Ravel.
Há quem o deteste por sua cadência repetitiva, mas eu adoro justamente por isso. E vou explicar o porquê.
É necessário certa dose de imaginação e... vamos lá.

Ela inicia silenciosa, tí­mida, acanhada...
Sinto como se fosse um amigo que me vê deprimido, começa a acompanhar meus passos indecisos. Ouve calmamente todas as minhas lamúrias. Tem no olhar aquela compaixão tí­pica de quem se importa profundamente conosco. Nesse trecho, ele apenas escuta e vai caminhando junto.

Os instrumentos vão surgindo na melodia.
Ele põe a mão no meu ombro e começa a combater minhas idéias pessimistas com palavras de carinho, de apoio. Para cada pensamento cravado na escuridão, ele possui um argumento tão sensato que sou incapaz de retrucar. Enfim, consigo exprimir um sorriso, embora ainda contido.

A orquestra soa forte, os instrumentos de sopro soam a plenos pulmões!
O amigo me sugere o caminho certo, eu vejo a Luz adiante. Agora ambos estão sorrindo. Caminhando a passos firmes e decididos rumo ao sucesso. Ah! Quanta alegria! Respiro o ar com uma satisfação que não possuía antes e agora posso seguir em frente sem vacilar!


(risos) Duvido que essa tenha sido a inspiração do Ravel quando compôs esta música, mas é assim que eu a 'vejo'. Seria uma tradução livre, uma alucinação criativa que tive. ( e tenho, sempre que a ouço)
Uma verdadeira musicoterapia.

: )

4.3.05

Eis o iní­cio

E vejamos como isto funciona.
(rezando pra não me deparar com outro Bad, bad server por aqui também... )