Pensei em ter um contrapeso para tudo o que abomino no desafeto e para isso conversei com o Renato, o empregador. Expus-lhe as três características daquele sujeito que, a meu ver, o definiam como colega de trabalho: incompetente, irresponsável, mentiroso e lhe pedi que, por sua vez, e em vista de ter tanta convicção de mantê-lo empregado, me dissesse alguns pontos positivos do desafeto.
A resposta foi: porque ele atende os clientes. Prontamente, sem deixá-los esperando. Renato explicou que isso o ajuda – e aqui abro o parêntese pra acrescentar que a maioria dos que trabalham na oficina não gostam muito de recepcionar e eu sou o que tem mais aversão a isso.
"Certo, e o que mais?" perguntei e ele me respondeu:
– Só isso.
Fiquei surpreso. Era –e é– só isso.
Eu achava que ele fosse rebater a visão negativa que tenho do desafeto, discordando da minha opinião ou enaltecendo outros méritos compensatórios, quem sabe? Mas não.
E vi que tenho mais motivos pra enfrentar o contato social, mais precisamente, o cliente.