Ontem, uma segunda-feira normal, fiquei impressionado em ver, através das câmeras de segurança, um carro parar em frente à oficina às 6:30 da manhã e lá ficar. Mesmo ali havendo uma placa informando que a oficina abre às 8h.
Achei que fosse interessante postar no Threads e assim o fiz, acrescentando no final do relato:
"O que se dizer sobre isso?"
Mais tarde fui trabalhar e não acompanhei as reações. Quase no final da tarde, ao olhar...
Fiquei espantado com o linchamento moral que estava em andamento. Eu havia sido transformado no ingrato que reclamava por ter clientela, no desocupado que se incomodava por coisa à toa, no mimizento da vez.
Não havia reclamação no que escrevi, tampouco incômodo. Houve quem me perguntasse se a pessoa do carro havia tocado a campainha, me tirado da cama. Ou como eu havia visto o carro chegar, como se fosse relevante. (não mencionei a visualização através de câmeras).
Poucas pessoas ponderaram e responderam o que seria razoável: é um cliente prevenido, ou que faz questão de ser o primeiro, ou tinha urgência, ou tinha vindo de longe...
Na postagem seguinte a essa eu disse "Cansei, moçada." Expus a situação, de ser tão tal interpretado, informei que iria apagar a postagem em questão e pedi perdão por isso aos que haviam respondido com bom senso, sem julgamentos precipitados.
Dessa, tive poucas reações.
Mantive no ar por umas horas, acho que umas 3...
E depois excluí meu perfil.
Creio que cedo ou tarde faria ou teria de fazer isso, principalmente às vésperas de ano eleitoral. Aquele site/app tem muito embate envolvendo os extremos e certamente se tornará um tanto quanto tóxico ou, no mínimo, bem desagradável de se estar. E que venha 2026.
23.12.25
Saí do Threads
17.6.25
17/06/25
Pensei em ter um contrapeso para tudo o que abomino no desafeto e para isso conversei com o Renato, o empregador. Expus-lhe as três características daquele sujeito que, a meu ver, o definiam como colega de trabalho: incompetente, irresponsável, mentiroso e lhe pedi que, por sua vez, e em vista de ter tanta convicção de mantê-lo empregado, me dissesse alguns pontos positivos do desafeto.
A resposta foi: porque ele atende os clientes. Prontamente, sem deixá-los esperando. Renato explicou que isso o ajuda – e aqui abro o parêntese pra acrescentar que a maioria dos que trabalham na oficina não gostam muito de recepcionar e eu sou o que tem mais aversão a isso.
"Certo, e o que mais?" perguntei e ele me respondeu:
– Só isso.
Fiquei surpreso. Era –e é– só isso.
Eu achava que ele fosse rebater a visão negativa que tenho do desafeto, discordando da minha opinião ou enaltecendo outros méritos compensatórios, quem sabe? Mas não.
E vi que tenho mais motivos pra enfrentar o contato social, mais precisamente, o cliente.