Na lateral de uma calçada elevada, um punhado destas lindas flores, a desabrochar a cada manhã. Flores que eu percebera, admirara –aliás, ainda admiro e admirarei pra sempre– e identificara: Turnera. Muito graciosas, espontâneas, foram atraindo a minha atenção cada vez mais.
Por um acaso –que nunca é um acaso, diz o destino– encontrei-a, esta Turnera, num livro que adquiri tempinho depois – o
Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil – e fiquei sabendo que poderia comê-la. Sim, essa flor amarela...
"Suas flores são deliciosas para consumo direto ('da mão para a boca'), bem suaves e adocicadas". Um pouco receoso e desconfiado por jamais ter comido flores –senão as "convencionais; brócolis, couve etc– até então, aproximei-me dela, pedi licença para retirar-lhe uma flor e... comi.
Grata surpresa! São mesmo pétalas levemente adocicadas, principalmente na parte escura (do centro) e, talvez o mais importante, são flores de uma manhã apenas ou seja, se abrem apenas nesse horário do dia e depois caem, o que as tornam muito limpas por não acumularem possíveis impurezas do ar. No dia seguinte já serão outras flores, não serão as mesmas como muitos imaginam...
Assim, tão perto de mim, disponível e adorável, tornei-me "freguês": costumava ir ao encontro daquele maciço florido e, sempre a conversar com ela, com carinho e gratidão, retirava-lhe umas 3 ou 4 flores e me deliciava.
A estas alturas você deve estar tentando imaginar o porquê do título e destas conjugações verbais no passado, não? Sem delongas direi: infelizmente todo o arbusto foi dizimado pela pior espécie daninha que conheço, o homem.
Embora desenvolvida num espaço próprio, sem atrapalhar a circulação de pedestres, numa triste manhã de domingo aquele pedaço de cimento antes florido amanhecera assim...
Desserviço prestado por morador das
proximidades, segundo me contaram, mas eu nem quis saber mais sobre o sujeito –até porque são coisas assim que me deixam cada dia mais desgostoso com a humanidade e prefiro evitar saber, pensar, chatear. Só cuido da natureza.
Termino este post com uma curiosidade: a Turnera é a flor símbolo da capital do Rio Grande do Norte, a cidade de (ou do) Natal, pelas seguintes característica
s; persistência, resistência, beleza e fortaleza (conforme texto oficial, na íntegra aqui ) e...
... tais méritos já estão se comprovando, haja vista que demorei a postar sobre o fato e ela já está reagindo, o que me consola. Cá entre nós, ontem (dia 23/03) foi um dia triste pra eu que amo plantas
mas... isso fica pra outro post.