12.6.15

Fração de segundos

Uma manobra brusca ao volante, desviando-me do trânsito parado. Só que vinha uma ambulância correndo na contramão, lá de trás. Eu, com o rádio num volume considerável e raro –geralmente ouço baixo justamente pra notar tais aproximações– nem percebi.

Assim que entrei na travessa, passou a ambulância. Naquela curva fechada e em alta velocidade, talvez não conseguisse frear e colidisse com o carro onde eu estava. O peso de um furgão acertando em cheio a porta do motorista de um palio? Agora meus restos mortais recuperados das ferragens estariam sendo velados.

Num dia dos namorados sem namorada, soaria como suicídio.

Mas estou vivo. Se vivendo de facto ou não, difícil dizer. Não era a minha hora. Ainda tenho algo a fazer. Só não sei bem o quê. E agora, que venha a cerveja.