24.3.15

Sem título propositalmente

Como sei que praticamente ninguém lê o que escrevo aqui, aproveitarei isso pra desabafar – e não me envolver numa discussão sem fim.

Hoje fiquei sabendo que o termo "morena" pode soar preconceituoso. Surpreendi-me, ainda mais na terra da "Morena tropicana" do Alceu Valença, canção tão tradicional, tão brasileira, tão carinhosa.

Sim, fiquei sabendo que chamar uma negra de "morena" é ofensivo. Nem sei bem por onde começar esta dissertação, mas... farei-a por outro termo, já em aparente desuso: "Mulata". Diz o dicionário que "mulata" nada mais é que a filha de um pai negro e uma mãe branca, ou vice-versa. Apenas isso. Mas alguém chamado Sargentelli transformou as mulatas em objetos sexuais, destacando-lhes os predicados físicos. E tão somente isso. E veio a reação: filhas de pais negros e mães brancas ou vice-versa se indignaram e passaram a repudiar a denominação, originalmente inocente, sem conotação erótica alguma. Sentiam-se vulgarizadas e, diante da imagem popularizada, com plena razão.

Ok. Décadas depois...
A negra é negra, "morena" é a PqP! (ou: é discriminação racial, é preconceito, é etc et cetera).
Aí vem a reflexão: Sargentelli deve estar ardendo nas brasas do inferno até hoje por ter deturpado o puro significado da denominação "mulata". Agora, "morena" segue o mesmo caminho. Talvez não na mesma conotação erótica, mas em outro sentido, o da caça ao preconceito racial em cada olhar torto, em cada vírgula escrita.

Gente, a "mulata" (DIGNA, não a apresentada como objeto sexual) surgiu da miscigenação, desta maravilhosa mistura de raças e cores à qual o Brasil acolheu como mãe gentil que sempre foi, desde seu surgimento. Faz séculos. E muitas etnias, além dos africanos e dos colonizadores se uniram desde então; indígenas, franceses, holandeses, espanhóis, italianos, alemães, japoneses, turcos, iugoslavos, norte-americanos, indianos, russos e muitos outros povos, de CORES diferentes, enfim.

Daí coloco a questão: quem é negro?
Pra mim, negro é o africano ou o descendente deste que jamais se misturou com o sangue do branco, do amarelo, ou do vermelho. Pode ser o negro cujo tatatatataravô era mais branquelo que um polonês? Por mim, pode. Pode ser a negra que é tão negra quanto a Mariah Carey ou a Carla Perez? Pode!

Mas ao negro, que tem preconceito racial ( SIM ), uma única "gota de leite no café" mancha, ofende.
E se você se ofende por ser chamada(o) de "morena(o)", mostre-me sua árvore genealógica, formada 100% por descendentes negros. Se não houver um único branco ou "não tão negro" lá, darei o braço a torcer e te direi: NEGRO és e serás, com muito direito e respeito. Do contrário...

23.3.15

O Caminho

Um ângulo agudo, extremamente agudo e afiado tal qual uma agulha. Ali me encantei. Ângulo convergindo a um vértice, tal qual uma estrada. Convidativo e desafiador ao mesmo tempo. Havia ali o desinteresse e o acaso. E a situação. E circunstâncias.

Apenas um par de pernas femininas. Adoravelmente bem torneadas.