Comecemos por aqui: 2006, o ano em que um grupo criminoso atacou São Paulo.
Àquela época, queimar um ônibus era um ato criminoso. E nos dias atuais? Essa imagem abaixo é da semana passada, no Rio de Janeiro.

Diz a reportagem que foram "moradores", no máximo "protestantes". Nada diz sobre criminosos ou algo semelhante. É impressão minha ou queimar ônibus se tornou, além de um "hábito", um ato legalizado?
Pois bem, enquanto eu via apenas o povão defendendo a reivindicação com depredação, eu me continha, de alguma forma ficava resignado. Porém recentemente li uma figura pública, que trabalha numa mídia formadora de opinião, defendendo um certo grupo urbano que ficou famoso depois dos protestos de junho do ano passado (prefiro nem citar). Criticando quem se diz insatisfeito com a cidade, com o poder público etc et cetera mas que nunca abandona sua zona de conforto, enalteceu os atos desses "heróis" pois estes sim, "arregaçam as mangas" e vão à luta. É?
É, vão. Mas... quais seus alvos? A quem intencionam atingir? Claro que aqui haverá alguém a dizer "Você não sabe, mas muitas dessas companhias de ônibus pertencem a políticos"e responderei: claro que sei, assim como sei que é por isso que é uma categoria (a dos transportes) que tem um lobby poderoso dentro das esferas legislativas, ok? Ok. Mas e esse ônibus aí, que foi queimado no Rio, era do dono da Light? Alguém sabe me dizer? Talvez sim... talvez não.
Eis a questão: até que ponto o dano do patrimônio –tanto público, quanto privado– demonstrará a força e, principalmente, a racionalidade do desejo popular? Sim, até concordo que ações como essas são muito mais contundentes que inofensivos tuitaços, mas estarão atingindo a quem realmente deveria ser?
Então vamos queimar uns ônibus de uma empresa do Renan Calheiros –bem capaz que ele tenha– pra ver se ele passa a ter mais respeito com o eleitorado? Parando de se vangloriar de méritos alheios e deixando sua arrogância pra trás, pra sempre? Se você acreditou que isso (a melhoria do caráter dele) possa acontecer só por causa disso, tenho um terreno lá na lua pra te vender, bem baratinho. Pois é. Ou imagine...
...que um amigo seu foi atropelado por um carro que estava tirando racha. Aí surge o levante popular: "Vamos paralisar esta rua! Vamos. Por justiça! Por mais segurança! Vamos!!!" E se prejudica meio mundo de gente que absolutamente nada teve a ver com a morte do seu amigo. E... claro, pra imprensa dar destaque, todos concordam em queimar um ônibus. (Que culpa teve o ônibus? E quem se importa com isso? É a onda do momento, companheiro)
Mas pensando bem, a imprensa nem tem dado tanto destaque a isso. Ou tem, mas a população já assimilou que isso é normal –tampouco considera um crime, o que é pior– e nem se impressiona mais. Janeiro nem terminou ainda e sabem quantos ônibus já foram incendiados aqui na Região Metropolitana de São Paulo NESTE ano (que não tem ainda nem um mês completo, volto a dizer)?
28.
PS: Número defasado. Hoje, dia 30, já passam de 30 ônibus queimados.
Precisamos ter foco. E discernimento. Do que é protesto, vandalismo e terrorismo.
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Update: assistindo ao Jornal Hoje (Globo) ainda há pouco, percebi que, finalmente, voltou-se a dizer "VÃNDALOS". Surge uma luz no fim do túnel.
