Bem, eu já havia dito que meu MP3 player portátil se tornara meu parceiro inseparável no dia a dia, não é mesmo? Pois ainda o é até hoje.
Dias, meses se passaram e eis que chegou o (desagradável) período das propagandas eleitorais. Eu, que não suporto essa ladainha toda –e em megafones, constantemente, ainda por cima– parei de protelar a compra de fones de ouvido melhores e assim foi feito.
Do modelo anterior, que não filtrava quase nada do ruído externo e ainda vivia escapando dos ouvidos, passei a outro, bem melhor: com sensível isolamento acústico, encaixe confortável e firme e, de quebra, um apoio a fim de evitar que possíveis puxões no fio viessem a derrubar os fones dos seus lugares. Excelente!
A estas alturas do texto você deve estar se perguntando: "Mas onde está o tarado da história??" Pois vou explicar...
Meus fones de ouvido antigos tinham um fio mais longo que este atual, e me permitiam que eu usasse o aparelhinho dentro do bolso da calça, tranquila e discretamente. Já os novos têm um cabo mais curto e uma presilha para prender o aparelho sonoro. E meu player tem, convenientemente, um ponto de fixação em uma de suas extremidades.
O problema é –ou foi, já que depois da primeira vez passei a evitar essa maneira de usá-lo e logo saberão o porquê– que meu aparelhinho sonoro tem um formato que tende ao roliço e os novos fones de ouvido (curtos) o mantinham na posição vertical, e bem acima da altura do zíper da calça.
Detalhe: com receio de atrair a atenção de ladrões eu usei-o por sob a camiseta folgada.
Pois bem. Embarquei no ônibus de sempre e, como sempre... todos os assentos estavam ocupados. Fiquei invariavelmente em pé.
Em dado momento a pessoa que estava no banco à minha frente saiu e, como havia uma moça em pé ao meu lado, ofereci-lhe o assento e ela aceitou.
Eu já havia percebido que o volume do MP3 portátil, balançando de um lado a outro sob minha camiseta, poderia sugerir outra coisa, mas contava com a dedução das pessoas: "Reparando os fones de ouvido, lógico que todos devem deduzir que aquilo perto do meu umbigo só poderia ser um aparelho de som."
Não foi o que aconteceu. Acho que nem se passaram cinco minutos, a moça que havia se sentado à minha frente se levantou e passou pela catraca, foi-se embora.
Confesso que não tive coragem de olhar para a cara dela, mas tenho a quase certeza de que foi o meu roliço equipamento musical que a incomodara.
Desde então passei a ostentar o inocente aparelhinho por fora da camiseta...
:/