28.8.09

Dia do bancário... sim.

Que amanhã, 29 de agosto, é o Dia Nacional de Combate ao Fumo muita gente – a favor ou contra, tanto faz – deve saber, mas e hoje, 28 de agosto?

Minha agenda afirma, com a categoria de uma Pombo Lediberg, que é, dentre outras coisas, o Dia do Bancário.

Do bancário. E eu que já fui um, nem sabia dessa data comemorativa da categoria. (será recente?) Coisa do final da década de 80, trabalhei numa agência do Bradesco situada na famosa avenida Paulista. A propósito, o nome Bradesco vem de "Banco Brasileiro de Descontos". E eu, como funcionário, comprovei a veracidade do nome. Principalmente no contracheque; descontava-se de tudo e só sobrava aquela miséria de salário líquido.

Desse tempo pouca saudade guardo. É verdade que eu vivia poupado do contato/confronto com a clientela – muitas vezes furiosa e com suas razões – por trabalhar na retaguarda, mas mesmo assim não passava ileso do stress do ambiente. Um centavo de diferença a menos que surgisse na conferência dos caixas era debitado sem dó dos nossos salários. Horas extras eram freqüentes. E não-remuneradas, evidente.

Greves, ah! As greves. Eram deflagradas ao menos uma vez por ano. E aonde os sindicalistas e seus carros de som iam? Para o cartão-postal, centro glamoroso e comercial da cidade: A avenida Paulista, claro. E ai de mim se ousasse burlar a greve: Piqueteiros dispostos a tudo – agressão física, inclusive – nos impediam de todas as formas.

Vem dessa época minha aversão a sindicatos. Batalham por uma causa nobre, te empurram para o front dessa guerra e, depois que você foi alvejado (demitido) eles "lavam as mãos". Simples assim. Preciso dessa ajuda? Nem quero!! Mas enfim...



Bancário tem seu dia, quem diria. E fiquei a pensar: O que teria originado essa data, essa homenagem? A exemplo do Dia da Mulher, que teve sua origem em mártires (ou nem tanto...), será que o dia do bancário foi criado em memória de algum corajoso que não temeu enfrentar as grandes instituições financeiras e se destacou no meio dos descontentes?

Não. Ou melhor, não sei.

É mais fácil imaginar – e acreditar – que essa data tenha surgido ao acaso. Ou quase acaso. Imaginemos um parlamentar, desses que não tem mais o que fazer, propondo a homenagem. Blablablás ao microfone e pronto. Aprovação.
Longe dos holofotes o político desabafa:

– Eu já não suportava mais a aporrinhação do meu cunhado, que trabalha num banco há mais de dez anos. Ele queria um feriado para a categoria. Bem, eu consegui fazer com que o dia dele existisse. Já quanto a este se tornar feriado...


Pra quem não gosta de divagação, eis a informação correta: Esta data comemora uma grande greve deles que deu certo. Só isso. É ler para crêr...

27.8.09

ENEM 'tava sabendo dessa...

Estranhando, embora tardiamente, o surgimento de uma onda de cursinhos preparatórios para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) – ué, sua finalidade não é (era) avaliar a qualidade do ensino de nível médio no Brasil, para com isso definir novos caminhos, métodos, conteúdos didáticos a fim de aprimorá-lo? – fui buscar informações a respeito no site oficial do Ministério da Educação.

Descobri então que o ENEM perdeu essa função e passou, como eu desconfiara, a ser mais um "funil", mais um mero vestibular, nada mais que isso. Antes pretendia escrever sobre a incompetência do poder público em oferecer vagas suficientes para todos os cidadãos, abrindo (mais) mercado para os cursinhos e tal mas...

Deparando-me com o detalhe abaixo desisti. Note-se que é o site governamental – a menos que tenham-no hackeado, o que considero muito pouco provável.



"Acesse o Sítio" ???

Sei que em xenofóbicas terras lusitanas o anglo "site" é "sítio" – tal qual "mouse" é "rato" e por aí vai – mas... aqui no Brasil? Me diga aí, alguém: Isso veio com o pacote do tal Acordo Ortográfico? Ou o MEC nos convida a reencontrar os personagens de Monteiro Lobato a, numa animaçãozinha, talvez, nos explicar de forma atrativa e divertida de que se trata o novo ENEM?

Negativo. As cinzas do escritor paulista descansam em paz. O "sítio", no caso, é só a página principal do portal ENEM. É o sítio do internauta português mesmo.


Ultimamente vejo tanta coisa sendo privatizada, e privatizados nacionais sendo comprados por estrangeiros, indústrias nacionais com capital majoritariamente de fora...
Será que até o webmaster do site do Ministério da Educação não é brasileiro???

:o

26.8.09

No elevador / Rascunho de meme

Pensei em criar um meme sobre talentos absolutamente inúteis mas acabei desistindo quando, depois de algum tempo pensando, admiti que não chego a ter os 5 necessários para se fazer o meme. Fica sendo só o post com um destes poucos, então.

Consigo sapatear aquele toque do início da música "Song 2" (do Blur, aquela do "U-Huu!!") no assoalho do elevador. E é lógico que só faço essa boçalidade quando estou sozinho lá dentro. A propósito, elevador...

Se tem um local constrangedor é ele. Não tanto quanto deve ser a sala de espera do consultório de um urologista – lembrando preocupado que estou na idade de fazer o desagradável teste, aquele da infâme dedada – mas é. Cubículo que por si só já deve fazer mal ao claustrofóbico, ainda por cima é compartilhado. Às vezes por muitos, às vezes por poucos.

Onde moro, um prédio pequeno de poucos andares, chega a ser raro eu embarcar com mais alguém. Por sorte. Mas em outros lugares...

Vizinhos se encontram ali dentro. Uns cumprimentam por mero praxe social e se calam. A maioria, por sinal. E fica aquele silêncio que parece demorar uma eternidade, cada um buscando um lugar para fixar o olhar, e que não seja na cara do outro. E olha-se para os números dos andares se modificando leeeentamente... ou para o teto... ou para o relógio de pulso... ou para o sapato... ou finge estar ajeitando a gola da camisa e por aí vai. Até que o elevador chega no seu andar.

E nem vou falar sobre odores, cachorrinhos e crianças-monstro (ou seriam "monstros-criança"?) lá dentro também. Concluo dizendo que o meno male do elevador é ser breve.

Talvez o problema esteja em ser um mal diário.

22.8.09

Aversão assimilada


Houve um tempo, um prolongado tempo, em que eu tinha raiva de ver cenas românticas e, principalmente, de beijos.

Era compreensível: Solteiro, encalhadaço, cheio de amor pra dar e coisa-e-tal e não tinha uma cara-metade para compartilhar isso, só me restava invejar os casais em redor.

Mas a inveja tem esta faceta, "se não possuo, prefiro nem ver quem tem" e era o que eu mais fazia; virava a cara sempre que me deparava com um casalzinho em seus amassos. Terrível era quando isso acontecia onde eu não poderia me desviar, como em uma fila, por exemplo.
Na telinha ou na telona me acostumei a virar a cara também, a essas cenas.

O estranho é que hoje, após anos já tendo uma companheira estável e que adoro – com a qual namoro, como qualquer outra pessoa normal faz – ainda continuo com essa mania! Não fixo meus olhos numa cena de beijo de jeito nenhum!!

:p

19.8.09

É só uma dança. (é?)

Lá estava eu, em meio a uma festa da empresa. Era comemoração de um objetivo comercial alcançado, do qual detalhes pouco importam e muito menos interessariam, aqui. Local: Um desses chamados "soçaites" (societies? Não, no caso deve ser mesmo um "soçaite"), onde há uma quadra de futebol, uma de vôlei, piscina, churrasqueira e tal.

Uns jogando bola, outros fofocando sobre o cotidiano na empresa... e eu só na cerveja – que era meu único objetivo, afinal – e o espetinho que acompanhava muito bem. Bebida vai, bebida vem, resolvem colocar músicas regionais pra tocar e uma turminha – possível e provavelmente embriagados – se anima a dançar.

É fato que a sensualidade é característica praticamente inseparável da atual música nordestina, mas o que eu começava a assistir ali, bem na minha cara, era um roçar de corpos tão indecente que deixaria qualquer casal de dançarinos de lambada parecendo membros de quadrilha junina, de tão pudicos que ficariam, perto daquilo.

O agravante disso é um detalhe. Um "desprezível" detalhe por estas terras, pelo visto: Muitos dos que estavam naquilo que mais se assemelhava a um ritual de acasalamento, a preliminares do ato sexual eram, no dia-a-dia de branco, gente que batia no peito e afirmava com inabalável orgulho e convicção: "Sou casado(a)!" (ou noiv(o)a, ou congêneres do compromisso a dois), não deixando margem alguma a suposições de que houvesse a probabilidade de algo fora da relação oficial.

No entanto, naquele momento estavam ali... "dançando". É. Pra muita gente – chefes, gerentes, também estavam lá, apenas assistindo. Se gostaram ou não sei lá – o que presenciei é normal, socialmente aceitável, cultural e blábláblá. Mas pra mim, não. Fiquei tão incomodado que parei de beber e passei pra água mineral. Virei a cara pra não dar audiência àquilo. Nunca fui de jogar bola mas diante de um cenário desses, arrisquei entrar na quadra e fiz uma cobrança de pênalti digna de sair no "Bola Murcha" do Fantástico: Sem goleiro – eu disse sem goleiro nem ninguém, só eu e a trave à minha frente – consegui mandar a bola pra fora. Pode?

Pode. Futebol – jogar ou assistir – nunca combinou comigo. Ainda mais bêbado! Depois dessa diversão que proporcionei a alguns colegas que estavam na quadra resolvi ir embora, cansado. Peguei carona com um destes, evangélico, que compartilhou de minha opinião a respeito da libidinosa dança. E cheguei em casa cedo, dia claro, ainda.

Não duvido nada que, o que se insinuou pela tarde afora, foi às vias de fato, ao cair da noite. Cogitações houve...

16.8.09

De que tipo é seu ficante?

Pensamentos idiotas que me vieram em mente ao avistar uma vistosa propaganda de lubrificantes, enquanto estava esperando minha condução para voltar pra casa, após mais um dia de trabalho...


De que tipo é seu ficante? (voltado às mulheres)

Se você se sente revigorada quando está com ele, então ele é toniFICANTE;
Se ele te faz progredir, então ele é ediFICANTE;
Se estar com ele te enobrece, então ele é gloriFICANTE;
Se ele te deixa perplexa, estática, simplesmente paralisada, então ele é petriFICANTE.

Mas onde entra o lubrificante do início deste post, algumas leitoras devem estar se perguntando, não? Pois bem...

Se ele te excita, te deixa molhadinha, então ele só pode ser... lubriFICANTE!!


Eu avisei, eu bem que disse logo de cara que eram pensamentos imbecis...
(: P

12.8.09

"Fora Sarney" e... ?

Pois é...

Na sexta-feira passada – dia de grande movimento no Twitter – coloquei uma pergunta no ar, em vista do considerável número de usuários que ostenta uma tarjeta com os dizeres "Fora Sarney" junto à sua própria imagem de exibição:

Qual o substituto ideal para ocupar a presidência do Senado, no lugar do Sarney?

Ninguém respondeu de imediato. Já era de se esperar e não estranhei. Na manhã de sábado, ainda sem nenhuma resposta, repeti a pergunta e pedi que "retuitassem" (ecoassem) a minha pergunta.

E nessa tarde (sábado) tive dificuldades técnicas e fiquei sem acessar a internet até ontem, terça-feira. Algo esperançoso volto a acessar o site de microbblogging para ver as reações e me deparo com...

Nenhuma resposta. Absolutamente.

Ninguém ecoou minha pergunta. Tampouco respondeu.
A que conclusão chego? Que mesmo que, ante uma (im)provável renúncia do Sarney, ninguém está se importando com quem o sucederá. E me pergunto por quê...

Porque seu substituto já é pré-definido pelas regras da casa – quem é, é o suplente? Alguém eleito entre eles? Realmente não sei. Se alguém aí souber... – e não faz diferença alguma a preferência do eleitorado numa hora destas ou...

O silêncio diz que aqui – fora do universo político – todos consideramos os que lá dentro estão "farinha do mesmo saco" e será indiferente quem se sentar naquela principal poltrona do Senado?

Ou ainda, que ninguém está se preocupando com quem pode – ou deve, ou deveria – entrar no lugar do maranhense todo-poderoso, bastando apenas que ele saia de lá?


É, a mim fica a impressão de que esta última hipótese é a mais certa. A do brasileiro que só vive o momento, já se esqueceu do passado e não está nem aí para o futuro. Por mais próximo que este esteja...

5.8.09

É proibido beber...

Entrou em vigor há pouco tempo uma lei estadual que proíbe o consumo de bebida alcoólica... dentro do ônibus. Quando vi aquele aviso afixado numa das janelas do coletivo que pego diariamente comecei a pensar: Qual o objetivo dessa lei, afinal?

Por força de lei federal já é proibida a venda de bebida alcoólica para menores de 18 anos e – se é levado à risca ou não, à parte – presume-se então que é uma lei (a do ônibus) direcionada aos adultos. Pois bem.

Adultos bebem e ficam, na maioria das vezes, inconvenientes. E isso pra dizer o mínimo. Mas pense bem: De todos os visivelmente embriagados que vocês, leitores, já presenciaram dentro de um ônibus, quantos estavam consumindo álcool lá dentro?

Pois eu digo que já me deparei com muitos bebuns nesta atual rotina de Candeias-Dois Irmãos e também antes, quando ainda morava em São Paulo. E sabem quantos alcoolizados encontrei, tais quais a alegórica imagem do ébrio – roupa desalinhada, barba por fazer e, principalmente, com a inseparável garrafa de qualquer coisa etílica na mão? Nenhum!

Se a lei pernambucana quer livrar os ônibus dos, como já disse, alegóricos "Joãos Canabrava" é praticamente inócua. Bêbados que importunam já "destilaram" àlcool o suficiente antes, bem antes de embarcarem num coletivo. E como não estarão consumindo nada a bordo, ficarão livres de qualquer penalidade. Ou não? A menos que cometam algum atentado ao pudor ou outro tipo de crime. Porque nem vomitar no corredor é crime. Só é deveras nojento.

Atualmente conheço um cidadão que, quase sempre, na condução do fim do dia, adentra – ou adentrava – o ônibus tomando uma latinha de cerveja. Pacato, respeitador, jamais o vi incomodando quem quer que fosse. E agora não pode mais fazer isso. Caso o faça, qual será o crime dele?

Poluir o ar que seus próximos respiram com hálito de cerveja?? :o