22.12.07

Quem me conhece no Orkut entenderá

No começo desta noite, indo ao mercado comprar umas cervejinhas – afinal, sexta-feira é o dia oficial dela(s) e ninguém, muito menos eu, é de ferro – passo por um senhor de meia idade, o qual desconhecia completamente, e este cumprimenta-me alegremente: "Boa noite!"

Pego assim, de surpresa, respondo ao cumprimento e, sem cessar meus passos, prossigo rumo ao mercado. "Deve ser só um pedinte" – penso, sem dar muita importância ao fato. Não ouço-o implorando por minha atenção – ou praguejando pela falta da mesma – e continuo caminhando, pensando em como a mendicância está presente em todos os lugares, até mesmo em um bairro humilde como este onde estou residindo atualmente.

Compro minhas latinhas e pego o caminho de volta, o mesmo pelo qual havia ido. No local onde minutos antes havia sido cumprimentado por aquele desconhecido, lá estava ele, ainda no mesmo lugar, sentado em um degrau, a observar os transeuntes.

E não é que, ao passar por ele novamente, sou sorridentemente recebido? E nesse momento concluí que aquele cidadão não era um pedinte. Do contrário teria feito cara feia para mim, ao "impiedoso que não havia dado a mínima sequer para um necessitado". Não, não era um réles mendigo. Tampouco um marginal a espreita de um incauto. Ou teria eu sido confundido com outra pessoa, esta sim, amiga dele? Pouquíssimo provável, ainda mais aqui, onde é tão difícil encontrar alguém de minha etnia andando nas ruas, tanto quanto improvável é encontrar um político no plenário da Câmara numa sexta-feira à tarde em véspera de feriado prolongado...
E então notei nele uma ligeira semelhança com o Mendonça, personagem do humorístico global "A grande família".

Foi então que percebi: Aquele primeiro 'boa noite' havia sido idêntico – em tom e apreço – ao que o Mendonça teria dito ao Lineu, só faltando o indefectível complemento 'Lineuzinho!'


Concluindo: Acho que estou encarnando tanto o Lineu que até um "Mendonça-genérico" surgiu em minha vida. Ou, no mínimo, no meio de minha caminhada por estas estreitas calçadas de Jardim Piedade...

17.12.07

Eu e minha "doença"

De segunda à sexta, das 8 às 17:30h e aos sábados das 8 ao meio-dia. É nessa faixa horária que
trabalho. E por que estou começando um texto informando/dizendo isso? Porque é justamente sobre um pequeno detalhe inserido dentro desse contexto que pretendo dissertar.

Desde que comecei neste emprego atual fiquei incomodado com o tal detalhezinho. Ele estava – aliás, ainda está, em muitos lugares lá dentro – exposto desde a entrada do local, até o showroom, recepção, oficina... e em desde grandes banners a discretos avisos e painéis internos. É a abreviação das horas: "HS".

Tão difundido estava, que há anos ninguém notava. Ou se notava, acabava resignando-se. Ou achando que fosse uma "variante extra-oficial" (como começo a achar que de fato seja, por sinal...) e acatando-a, passivamente. E passei quase dois meses tentando não olhar para aquela(s) coisa(s), tentando convencer-me de que ninguém daria a mínima para um erro de português desses, até que não suportando mais – e concluindo que eu nada teria a perder se me manifestasse a respeito – fui ao gerente e... desabafei, acho que é a expressão mais adequada.

Disse-lhe que era uma coisa aparentemente irrelevante, mas que muito me chamava a atenção e que poderia causar uma má impressão aos clientes mais observadores. E fui bem acolhido em minha iniciativa; ele concordou com minhas ponderações e ordenou que alguém corrigisse os erros espalhados pela firma toda. Ou pelo menos das mais visíveis à clientela. Dei-me por satisfeito.

Mas só por uma semana. Na qual nada vi ser reparado. E foi então que resolvi pedir autorização do setor responsável para eu mesmo corrigir algumas das "hs". Me foi permitido. E imediatamente saí arrancando alguns "S's" adesivos colocados em paredes de vidro. Vocês não devem ter dimensão do prazer que isso me deu.

Muitos olhavam-me com estranheza, ali, cutucando com a unha o adesivo. Uma ou duas pessoas
concordaram comigo, que aquela abreviação estava errada mesmo. Mas a maioria deve ter me achado um sujeito esquisito e só. Mas não me importei com isso. A mim era indiferente o reconhecimento ou a zombaria, queria apenas corrigir algo que, ao menos a meu ver, passava uma imagem pouco letrada ao público.

Afinal, um cliente que vai a uma concessionária Toyota não é nenhum zé ruela, nenhum pé-rapado que mal tem o primário; muitos são, no mínimo, formados em alguma carreira de porte. Isso quando não bacharéis. E eram recebidos com "hs".

Não pude, infelizmente, exterminar todas (essas abreviações incorretas) que lá existem, mas pelo menos consegui acabar com algumas, o que deve render um "contrapeso". Acho.

E pra terminar: Alguns dias depois deste meu ato (corajoso? desnecessário? ridículo? quem saberá dizer...) estive em uma restaurante num shopping da cidade, o Boa Vista. Localizado no bairro de mesmo nome e que considero de nível – não é nenhuma periferia, como bem sabem os recifenses, – não é que tive o desprazer de sentar-me diante de um vistoso cartaz onde lia-se, em nítidas e bem impressas letras: "Rodízio de pizza de tal à tal hs" ?

Nunca me senti tão Dom Quixote em minha vida, acho! Do contrário, como definir esta minha quixotesca batalha contra os erros e/ou vícios de linguagem e língüa?

(: P

10.12.07

De volta

Não sei se é normal ou um caso pessoal, mas sempre que paro de escrever... o retorno à atividade é, senão trabalhoso, lento. É como um carro que fica sem partida e precisa ser empurrado para pegar no tranco. Assuntos a serem abordados há, inclusive. O que falta é aquela iniciativa de me sentar aqui e afirmar a mim mesmo, e com convicção: "Vou começar a escrever agora e só me levantarei daqui quando terminar o texto!"

A verdade é que perco o ritmo. A vontade de escrever, de expressar meus simplórios pensamentos, jamais. Isso aliado à expectativa de minha minúscula – porém seleta e apreciada – platéia trouxe-me, enfim, de volta a este cantinho para dissertar, para divagar, para "besteirar"...

Mas, antes de mais nada, acho que cabe um pequeno aparte informativo, ao melhor estilo "meu querido diário": A maior razão deste meu sumiço do mundo internético. Abreviando ao máximo este assunto maçante, digo-vos que fui vítima da minha quase-dependência por este mundinho virtual. E deu no que deu: Como meu acesso é discado, minha conta de telefone veio astronômica. E "rebolei" para conseguí-la pagar. No entanto, – e seguindo a linha da gíria colocada – como sou mau dançarino, culminou com um atraso no pagamento e inevitável suspensão dos serviços.

Resumo da ópera: Fiquei sem telefone por uns dias. Mas foi bom pra eu aprender a me controlar. Pelo menos enquanto eu for submisso a este impiedoso "taxímetro" telefônico.

Enfim, gostaria de agradecer aos – poucos, mas bons; não canso de dizer – leitores que mantiveram a esperança de encontrar novidades neste humilde blog durante este inesperado vácuo e, de quebra, minha audiência. Porque... já devo ter dito isto antes, já fui um dos que tentaram "escrever para o próprio umbigo", declarando-me auto-suficiente como escrevinhador e leitor ao mesmo tempo. Pura hipocrisia! Ou que atire a primeira pedra o blogueiro que é capaz de afirmar que prefere não receber comentário algum, quer seja positivo ou negativo, condizente ou não, correlacionado ou não.

Fosse para escrever para ninguém, não daria no mesmo se escrevessemos em uma folha de papel e a guardássemos numa gaveta? Ou ainda, que as palavras sequer saíssem do pensamento? Pois bem. Escrevemos aqui para interagir. Para receber elogios, críticas – por que não? – para trocarmos informações, experiências de vida, impressões pessoais, para aprender e crescer como seres humanos!

Bom, e chega de blablabla que há coisas melhores (talvez) sobre o que escrever.

: )